Dólar e risco sobem; Ibovespa recua

A alta dos juros pagos pelos títulos do Tesouro americano estimulou a venda de papéis da dívida brasileira e causou a alta do risco país ontem, levando o dólar comercial a subir 0,57%, para R$ 2,836. O C-Bond perdeu 0,13%, vendido a 99,3% do valor de face, o risco subiu 0,88%, para 458 pontos, o Ibovespa caiu 1,40% e os juros futuros projetaram alta.

O surpreendente dado de criação de empregos nos Estados Unidos em outubro, divulgado na semana passada, evidenciou uma atividade econômica forte, aumentando a perspectiva de continuidade do aperto monetário no início de 2005. Além disso, o Tesouro dos EUA leiloou ontem US$ 14 bilhões em papéis de 3 anos, pagando juros mais altos. Tem-se como certo que o Federal Reserve aumentará, amanhã, o juro básico americano em 0,25 ponto porcentual, para 2% ao ano. E para dezembro espera-se outro aumento semelhante.

A cotação mínima do dólar, de R$ 2,814 (queda de 0,21%), de manhã, atraiu importadores à compra. Quando o comercial atingiu a máxima de R$ 2,838, à tarde, alguns exportadores reapareceram na ponta de venda. Mas o fluxo de recursos foi equilibrado. Houve forte queda nos volumes de negócios nos mercados à vista e futuro. O primeiro caiu 33%, para US$ 1,373 bilhão, e na BM&F o recuo foi de 34%, para US$ 3,91 bilhões. Os contratos de dólar futuro projetaram alta, e o paralelo caiu 0,55%, para R$ 3,063.


Elétricas dão lucro

Na Bovespa, o volume financeiro atingiu R$ 1,015 bilhão. O mercado realizou lucros com as elétricas, que ainda têm gordura. Os piores desempenhos do Ibovespa foram de Net PN, que se desvalorizou 4,92%, Cemig PN (4,22%), Eletrobrás ON (4,14%) e Eletropaulo PN (3,07%). As maiores altas foram de Tractebel ON (2,19%), Petróleo Ipiranga PN (1,94%), Embraer ON (1,64%) e Embraer PN (1,28%).

O rearranjo societário envolvendo a Credicard repercutiu nas ações do Unibanco e Itaú. Pelo impacto imediato no caixa, Unibanco PN subiu 3,91% e Itaú PN caiu 2,20%. O contrato de Ibovespa futuro para dezembro projetou queda de 1,46%. Os juros futuros tiveram mais um dia de alta, embora com liquidez baixa. A razão ainda é a perspectiva de que a taxa Selic terá de subir mais - talvez mais do que está embutido no preço.



Em Nova Yorque

A Bolsa de Valores de Nova Iorque fechou praticamente estável, com leve alta 0,04% no índice Dow Jones 30 Industrials (que fechou com 10.391 pontos) e baixa de 0,11% no S&P 500 (que caiu para 1.164 pontos). Na Bolsa eletrônica Nasdaq o pregão encerrou em alta de 0,02%, com 2.039 pontos. Os investidores permanecem cautelosos, aguardando o resultado da próxima reunião do Fed.

O movimento do câmbio do dólar também passou a ser acompanhado de perto depois da queda recorde em relação ao euro. A moeda européia foi cotada ontem a US$ 1,2987, maior valor desde fevereiro, quando chegou a US$ 1,2927. O dólar fraco pode inibir a compra de títulos americanos.

O petróleo vai aos poucos deixando de ser uma preocupação central dos investidores. Ontem, o barril fechou novamente em queda, cotado a US$ 49,09 (-US$ 0,52). (Das agências)

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