MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha com maior queda em 3 meses
O dólar fechou em queda de 0,87% ontem. Foi a maior baixa percentual em três meses. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 2,829, o menor valor em três semanas. O recuo da cotação refletiu a sensação de alívio no mercado global após o candidato democrata John Kerry admitir a vitória do presidente dos EUA, George W. Bush. Antes, havia o temor de que uma denúncia de fraude desencadeasse uma batalha na Justiça, como ocorreu em 2000.
Em discurso, Kerry admitiu a reeleição de Bush. Antes ligou para o rival para reconhecer a derrota. Segundo a Casa Branca, em resposta ao telefonema, Bush disse que Kerry era um ''oponente admirável''.
Nas últimas semanas, alguns bancos estrangeiros divulgaram relatórios com alarmes sobre o risco de incerteza eleitoral nos EUA. Mas, os medos ou especulações tornaram-se infundados.
Dívida cambial
Com a queda de ontem, o dólar se aproxima do menor valor (R$ 2,79) alcançado neste ano, em janeiro. Mas a moeda norte-americana poderá sofrer alguma pressão com a proximidade do vencimento de uma dívida cambial no próximo dia 10. O Banco Central (BC) anunciou, na segunda-feira passada, que vai resgatar toda a dívida de US$ 656 milhões. Os bancos credores costumam inibir uma queda do dólar, a fim de garantir a melhor taxa possível para o resgate dos papéis. A média oficial do dólar (ptax) da véspera do vencimento é usada pelo BC para corrigir o preço dos títulos.
O objetivo do BC de não rolar os títulos cambiais é reduzir a exposição da dívida pública às oscilações do câmbio. Essa estratégia foi um dos fatores citados pelas agências de classificação de risco para elevar o ''rating'' (nota de crédito) do Brasil em setembro.
Bovespa em alta
A reeleição sem traumas do presidente George Bush nos EUA também levou alívio ao mercado acionário mundial. Wall Street fez a festa, animada pelas ações dos setores farmacêutico, de defesa e de energia, justamente os mais beneficiados pela postura protecionista ao que Bush chama de ''sua base'' e seus adversários nomeiam de ''elite''. Às 18h15, o índice Dow Jones subia 0,80% e o Nasdaq avançava 0,65%.
Em São Paulo, a Bovespa subiu pelo terceiro pregão consecutivo e atingiu o melhor desempenho em três semanas. O principal índice da bolsa paulista encerrou em alta de 1,66%, aos 23.660 pontos. O pregão movimentou R$ 1,429 bilhão, acima da média diária do ano. Das 54 ações que compõem o Ibovespa, só 11 fecharam em baixa.
No pregão paulista, uma das maiores altas do dia foi da ação preferencial da Gerdau, que disparou 4,23%. A companhia triplicou o lucro no ano, até setembro, com ajuda da alta do preço do aço e resultado positivo de suas subsidiárias no exterior. Já a ação preferencial da AmBev caiu 0,28%. A companhia divulgou uma queda de 61% do lucro no terceiro trimestre. O valor (R$ 132 milhões) ficou abaixo do esperado pelos analistas. (Das agências)





