MERCADO FINANCEIRO
Bovespa cai com aumento dos juros na China
O aumento da taxa de juro na China acabou se sobrepondo ontem à nova queda do petróleo futuro. O receio de que a economia chinesa se desacelere, reduzindo as importações, fez o Ibovespa cair 1,05%, abaixo dos 23 mil pontos (22.928). O dólar comercial subiu 0,17%, para R$ 2,867, o risco país avançou 0,21%, para 480 pontos, e o C-Bond ganhou 0,19%, vendido a 99,1% do valor de face. Os juros futuros projetaram alta, por causa da ata da reunião do Copom.
Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,02% e o Nasdaq, 0,29%. O volume financeiro da Bolsa paulista caiu, totalizando R$ 940,4 milhões, e a perspectiva para os próximos dois pregões não é otimista por causa do feriado nacional prolongado e da eleição presidencial nos EUA.
Acredita-se que os chineses consumirão menos matérias-primas industriais e, com isso, as ações dos setores de mineração e siderurgia lideraram as quedas do Ibovespa e responderam pelos maiores volumes de negócios. Vale ON perdeu 3,89%, Vale PNA 3,53%, Gerdau PN 3,47% e Caemi PN 3,41%. Bradespar PN teve a maior desvalorização, 4,60%, reagindo ao anúncio de oferta primária de ações preferenciais feito pela companhia ontem. Telemar PN recuou 1,72%. O lucro líquido, de R$ 159,3 milhões, ficou abaixo da previsão dos analistas - eles esperavam mais de R$ 200 milhões. Embraer ON teve a maior alta, 2,27%. O contrato de Ibovespa futuro para dezembro projetou queda de 1,31%.
Dólar e juros
As principais razões para a alta do dólar foram o fluxo financeiro de saída mais forte do que a oferta dos exportadores e a maior disputa entre ''comprados'' e ''vendidos'' no mercado futuro. Houve uma saída financeira grande de uma empresa do setor aéreo. Hoje será formada a taxa média (ptax) a ser usada segunda-feira para a liquidação do contrato de dólar futuro de novembro, o que poderá deixar o mercado mais volátil. O paralelo caiu 0,52%, para R$ 3,077.
No mercado de juros, predomina a impressão de que a Selic terá novos aumentos, em breve. A ata do Copom divulgada ontem mencionou o petróleo como fonte potencial de alta inflacionária e, como ninguém acredita numa queda rápida e significativa da commodity, todos esperam a elevação do juro básico. O contrato futuro de abril projetou taxa de 17,72% ao ano, ante 17,61% na véspera.
Taxa chinesa
O banco central da China elevou a taxa básica de juros do país pela primeira vez em nove anos, em uma indicação de que o governo considera insuficientes as medidas adotadas até agora para controlar o ritmo de crescimento da economia, que teve expansão de 9,5% nos nove primeiros meses de 2004 em relação a igual período do ano passado. Em nota veiculada em seu site na internet ontem, a autoridade monetária comunicou o aumento dos juros em 0,27 ponto percentual, o que significa a elevação de 5,31% para 5,58% da taxa básica de um ano para operações de empréstimo. No caso de depósitos, a taxa de referência de um ano passou de 1,98% para 2,25%. O banco central também ampliou a faixa de flutuação dos juros para empréstimos em yuans.
Como a inflação do país está na casa de 5%, porém, a taxa de juros real chinesa é praticamente zero. A do Brasil, por exemplo, beira os 10%, com taxa básica de 16,75%. As mudanças entram em vigor hoje, uma semana depois de o Departamento Nacional de Estatísticas divulgar que o PIB do terceiro trimestre teve expansão de 9,1% em relação ao terceiro trimestre de 2003. Nos três meses anteriores, o crescimento havia sido de 9,7%. (Das agências)





