MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha em queda de 0,55%
O dólar fechou em queda de 0,55% ontem, vendido a R$ 2,858, um dia após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) de elevar a taxa básica de juros de 16,25% para 16,75% ao ano, contrariando a vontade do Planalto, e acima do previsto pela maioria dos bancos.
A baixa da moeda norte-americana refletiu a repercussão positiva do anúncio do BC com os investidores estrangeiros e credores da dívida externa do País. O discurso dos bancos é de que o BC deve ser independente e trabalhar livre da interferência política, apenas atento a questões ''técnicas'', como as expectativas de inflação e os riscos para economia, como a escalada do preço do petróleo.
Nos últimos dias, circularam boatos de que o governo Lula pressionava o Copom para evitar uma alta dos juros em pleno segundo turno das eleições municipais. Na terça-feira, chegou ao ponto de bancos espalharem boatos de que o presidente do BC, Henrique Meirelles, deixaria o cargo por conta dessas pressões.
Decisão correta
Segundo o economista Alexandre Pavan Póvoa, da Modal Asset Management (MAM), o mercado ''se iludiu'' ao achar que o Copom não teria coragem de acelerar o aumento dos juros antes do segundo turno das eleições e que o BC usaria como desculpa a recente queda dos índices de preços e no aumento da meta de inflação. ''A decisão de elevação de 0,50 ponto percentual, apesar de contrariar a esmagadora maioria das expectativas de mercado, foi correta e ajuda - apesar de estar longe de garantir - a consolidação de um processo de crescimento sustentado no Brasil'', escreveu Póvoa, em relatório.
Na hora do fechamento do dólar, o risco Brasil, que mede a desconfiança externa com os títulos da dívida do País, recuava 0,81%, aos 485 pontos. Apesar dos indicadores brasileiros em terreno positivo, os bancos aguardam a divulgação da ata do Copom, na próxima semana, com as justificativas sobre a decisão do aumento do juro. Há muitas dúvidas se, nas próximas reuniões do Copom, os juros vão subir 0,25 ou 0,50 ponto percentual.
Ações de bancos disparam
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta ontem e deu pistas sobre as companhias que mais vão se beneficiar com a elevação dos juros anunciada ontem à noite pelo Copom. As ações dos dois maiores bancos privados do País (Bradesco e Itaú) lideraram as valorizações do dia.
O Ibovespa, que reúne as 54 ações mais negociadas do pregão, encerrou com ganhos de 0,81%, aos 23.058 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,153 bilhão. O papel do Bradesco disparou 5,40%, seguido pela ação do Itaú (4,83%).
Crédito mais caro
Em tese, uma alta dos juros ajuda a derrubar os preços dos papéis das empresas brasileiras pois elas tendem a lucrar menos com o crédito mais caro. Mas a reação inicial da Bolsa foi positiva, porque o anúncio do BC repercutiu bem com os investidores estrangeiros e credores da dívida externa do País.
''O ajuste nos juros foi visto com bons olhos pelos investidores, pois revelou autonomia do BC e cautela com a inflação'', disse o analista do portal Acionista, Ricardo Guerses. Mas o setor produtivo reclamou e prevê o aumento de custos com medidas como um novo reajuste da gasolina. ''Com esse aumento na taxa Selic o Copom sinalizou que depois da eleição vem pacote de maldades'', disse o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos.
O custo de empréstimos já está mais caro no mercado após a decisão do Copom. Os juros privados de longo prazo, que definem os custos de financiamentos tomados principalmente por empresas, registraram alta ontem. A taxa do contrato de ''swap pré'' de 360 dias subiu para 17,67%, acima dos 17,49% do fechamento da quarta-feira. Folhapress)





