MERCADO FINANCEIRO
Bovespa tem dia ruim e cai 2,77%
Um forte movimento especulativo fez a Bolsa de Valores de São Paulo despencar ontem, dia de vencimentos de Ibovespa futuro na BM&F e de opções sobre o índice. O Ibovespa fechou em baixa de 2,77%, em 23.289 pontos, com apenas cinco ações em alta. Durante o dia, entretanto, a Bolsa chegou a cair 3,70%.
Investidores que tinham opções de venda de Ibovespa venderam ações para derrubar o índice. Nesses casos, o investidor tem a opção de vender o contrato de Ibovespa a um determinado preço no dia do vencimento. Quando chega esse dia, se o índice estiver mais baixo do que o marcado no contrato, ele embolsa a diferença. No entanto, se a Bovespa estiver acima do valor da opção, ele tem de registrar a defasagem como prejuízo, ou, no caso da venda a descoberto, comprar o papel pagando a diferença.
Mineração e siderurgia
O movimento começou com uma queda pela manhã nos preços de commodities dos setores de mineração e siderurgia como um todo em Londres, causada pelo desmonte de posições de grandes fundos internacionais. A queda foi justificada pelo rebaixamento da recomendação do banco de investimentos JP Morgan para o setor de mineração europeu. No Brasil, os ''vendidos'' começaram a se desfazer de ações do setor de mineração para empurrar a Bovespa para baixo. Usiminas ON caiu 4,52%, CSN ON, 5,14%, CST PN, 3,29%, Gerdau PN, 3,40%, e Vale ON, 7,06%.
As operações relacionadas aos vencimentos fizeram com que fosse batido recorde histórico de negócios no pregão, de 105.941, e que o volume atingisse R$ 3,265 bilhões. Dados preliminares indicavam que o exercício de opções sobre o Ibovespa movimentou R$ 625 milhões.
A turbulência na Bovespa afetou principalmente o risco Brasil, que subiu 4,15%, para 452 pontos. Também circulou pelas mesas de operação um relatório técnico do Citibank avaliando como ruim a manutenção de grandes posições em ativos de longo prazo do Brasil, o que deu fôlego ao rearranjo de posições. Após duas quedas consecutivas, o dólar comercial fechou em alta de 0,71%, a R$ 2,84.
Tendência de queda
Apesar da alta, o mercado aposta cada vez mais na tendência de queda do dólar devido à entrada crescente de recursos captados por empresas e bancos e pelo desempenho recorde do comércio exterior. Na última pesquisa do BC com instituições financeiras, divulgada na segunda-feira, a expectativa é fechar 2004 com o dólar a R$ 2,95. Na sondagem anterior, a projeção dos analistas era encerrar dezembro com cotação de R$ 3.
Hoje, entram nas reservas internacionais do país US$ 1 bilhão que o governo captou no último dia 6 com a venda de bônus de 15 anos, o Global 2019. Com essa operação, o País antecipou o plano de captações para 2005, que totaliza US$ 6 bilhões. (Das agências)





