MERCADO FINANCEIRO
Petróleo volta a subir e puxa dólar
O novo recorde do petróleo ontem fez o dólar interromper uma sequência de duas baixas. A moeda dos EUA subiu 0,14% e fechou vendido a R$ 2,83. Durante o dia, a divisa chegou a ficar abaixo de R$ 2,82. Ontem, o barril encerrou em alta de 2,36% em Nova Iorque, cotado a US$ 51,09, após ter batido o maior valor da história (US$ 51,29). Na véspera, o petróleo havia registrado queda após o cessar-fogo na Nigéria, sétimo maior exportador.
A demora na retomada da produção plena no golfo do México, após a passagem do furacão Ivan, e a perspectiva de maior consumo de óleo e gás no inverno a partir de dezembro no hemisfério norte foram os pretextos do dia para justificar a alta do barril.
Os investidores temem que a disparada do petróleo prejudique o ritmo de retomada da economia mundial. No Brasil, aguarda-se um reajuste dos combustíveis em breve, o que deve elevar os preços em toda a cadeia produtiva, alimentando a inflação.
Tendência de queda
Mas o fluxo positivo de divisas ajuda a minimizar a pressão no câmbio. A tendência no curto prazo é de queda do dólar devido à maior entrada de recursos captados por empresas e exportadores, segundo a diretora da corretora AGK, Miriam Tavares.
Ela afirma também que as tesourarias estão se desfazendo de posições em dólar de forma ''agressiva'' nos últimos dois dias, devido à expectativa de queda da moeda americana e de novas captações privadas. ''É melhor para os bancos vender o dólar e aplicar em renda fixa, como títulos públicos.''
No ano, o menor valor atingido pela moeda americana foi de R$ 2,79, em 12 de janeiro. ''Não há expectativa de que o Banco Central entre no mercado comprando dólares, a não ser que a queda do dólar afete a balança comercial, o que não está ocorrendo. Pelo contrário, a balança apresenta recorde a cada semana'', diz a diretora da AGK.
Petrobras na Bolsa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com pequena alta, impulsionada pelas ações da Petrobras, em meio a rumores de que a estatal está prestes a anunciar um reajuste dos combustíveis. O Ibovespa (55 ações mais negociadas) subiu 0,22% e marcou 24.205 pontos. O pregão movimentou R$ 1,3 bilhão, acima da média diária (R$ 1,1 bilhão).
Um aumento da gasolina favorece o faturamento da Petrobras, pois a empresa poderá repassar o aumento dos custos, adequando seus produtos aos preços do mercado internacional. Como os papéis da estatal possuem o segundo maior peso no cálculo do Ibovespa, uma alta das ações da Petrobras acaba elevando o principal índice da Bolsa paulista.
As ações preferenciais da Petrobras encerraram em alta de 2,01%, cotadas a R$ 96,40. Alguns operadores comentaram que o reajuste dos derivados pode superar 10%, atingindo até 15%. A estatal mantém o silêncio. (Folhapress)





