Projeção de inflação eleva juros futuros

Quem achou que as boas surpresas com a inflação corrente poderiam significar alívio na inflação futura errou. O relatório de inflação divulgado ontem pelo Banco Central (BC) indicou que as projeções de inflação continuam acima da meta, mesmo a ajustada, de 5,1%. E sinalizou que, se nada for feito, existe risco de a banda superar a meta, de 7%, também ser descumprida. Ou seja, reforçou as apostas em mais ajuste nas taxas de juros.

Segundo o relatório, a projeção de inflação para 2005 está em 5,6%. Para 12 meses a partir do terceiro trimestre, está em 6,8%. O documento observa ainda que as projeções do mercado são ainda mais salgadas. A média para 2005 está em 6,4%.

O saldo dessas notícias foi um ajuste dos DIs futuros, que na quarta-feira chegaram a cair, motivados, entre outras razões, por rumores de que o relatório viria mais brando. Até os DIs mais curtos subiram, indicando que a expectativa de novas altas da Selic. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os DIs encerraram o dia com as seguintes taxas: DI de abril, 17,08% (17,02% na quarta-feira); DI de janeiro, 16,67% (16,63%); DI de novembro, 16,29% (16,27%).


Petróleo puxou câmbio

A movimentação para a formação da ptax (taxa média do dólar no mês) e a retomada da alta do petróleo sustentaram a subida da moeda americana à vista. O dólar comercial fechou em alta de 0,21%, a R$ 2,86. Mas o fluxo comercial positivo no dia acabou impedindo o fechamento em alta da ptax. A ptax de venda ficou em R$ 2,8586, com queda de 0,06%. Essa taxa média do dólar comercial será usada hoje na liquidação do contrato de dólar futuro para outubro na BM&F e para os ajustes da dívida de US$ 452 milhões em swap cambial, não renovada pelo BC.

A liquidez internacional para investimentos de curto prazo em títulos de dívida de países emergentes também continua favorável. Mesmo com a nova subida do juro dos títulos do Tesouro americano (treasuries) - o T-bond 30 anos avançou para 4,892% e o T-note 10 anos para 4,118% -, os títulos brasileiros mantêm bons rendimentos aos investidores, com taxas em dólar entre 8% e 9%. O C-Bond subiu 0,19%, a 98,9375 centavos de dólar. O Global 40 subiu 0,27%, a 112,25 centavos de dólar. Às 18h de ontem, o risco país recuava 10 pontos, para 465 pontos básicos.


Ganhos na Bolsa

No mercado de ações, o caso Vioxx acabou virando Wall Street de cabeça para baixo. O índice Dow Jones recuou 0,55%, com as ações da Merck, fabricante do remédio, em queda de 26,78%. O resultado refreou o desempenho do Ibovespa, que fechou em ligeira alta de 0,16%, com 23.245 pontos e volume financeiro de R$ 1,235 bilhão. De todo modo, mesmo instável, o índice teórico paulista voltou a ter o melhor desempenho entre as aplicações financeiras do mês, com ganho de 1,94%. No ano, o ganho atinge 4,5%. Na lista das maiores altas, a ação da Net subiu 3,5% após divulgar que o BNDES aceitou sair do grupo de controle da empresa, o que facilita a entrada da mexicana Telemex no controle da operadora de TV paga. Papel mais negociado do pregão, Telemar PN caiu 2,08% para R$ 37,65. A empresa divulga o balanço do terceiro trimestre no próximo dia 28 de outubro, antes da abertura do mercado. (Das agências)

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