Dólar e risco voltam ao nível de janeiro

A possibilidade de aumento da meta de superávit primário (economia de receitas para o pagamento de juros da dívida) agradou ao mercado financeiro ontem. Os títulos da dívida externa subiram, e risco-país e dólar recuaram para os menores níveis desde janeiro. O dólar caiu 0,59%, para o menor valor desde 26 de janeiro, vendido a R$ 2,868. Às 19h, o risco-país caía para 467 pontos.

''A informação de que a meta de superávit pode subir soa como música para o mercado. Daí a reação tão positiva'', diz Carlos Eduardo Olinto, gestor de câmbio da Mellon Global Investments. Isso porquê se o governo realmente decidir por uma maior economia de recursos para pagar juros da dívida, a perspectiva de que o país pode dar um calote diminui. Uma decisão nesse sentido é uma sinalização de queda da relação dívida/PIB, indicador importante para o mercado.

Os que são contra um superávit primário maior argumentam que uma medida dessas limita os investimentos públicos. Ou seja, dinheiro que poderia ser investido - em infra-estrutura, por exemplo - é economizado para pagamento de juros da dívida.


Melhora na recomendação

Dentre os principais títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 subiu 0,53%, e o C-Bond teve alta de 0,25%. A elevação fez com que o papel fechasse a US$ 0,9925, próximo de 100% de seu valor de face. A elevação da recomendação para os títulos da dívida do Brasil feita pelo banco Dresdner Kleintwort Wasserstein contribuiu para a alta dos títulos.

Em relatório, a Modal Asset diz que ''essa possibilidade (aumentar o superávit), se concretizada, reforçaria a estratégia gradualista do Banco Central (BC) de elevação dos juros''. Na quarta-feira, o BC elevou a taxa básica para 16,25% e avisou que deve subir mais. E juros mais altos encarecem o custo da dívida pública que, em grande parte, é atrelada à Selic (taxa básica).


Bovespa volta a subir

A Bovespa superou o pessimismo do Comitê de Política Monetária (Copom) e interrompeu ontem uma sequência de três semanas acumulando perdas. As ações subiram pelo quarto pregão consecutivo. O principal índice do mercado paulista voltou ao patamar de 23 mil pontos. O volume de negócios melhorou, refletindo o interesse do investidor estrangeiro de montar novas operações com papéis brasileiros.

O principal índice da Bovespa encerrou em alta de 0,86%, somando 23.073 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 1,265 bilhão, acima da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão). Na semana, o Ibovespa, que reúne as 55 ações mais negociadas, acumulou ganhos de 5%. Em perspectiva, a valorização é mais modesta: valorização de 1,3% no mês e 3,7% no ano.

A Bolsa havia caído três semanas seguidas, antecipando-se a um cenário de freio no ritmo de crescimento da economia. O temor de uma alta de juros se confirmou na quarta-feira. A taxa subiu de 16% para 16,25% ao ano, e o Copom ainda sinalizou novas elevações neste ano. (Folhapress)

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