MERCADO FINANCEIRO
Dólar tem o menor valor desde abril
Pela primeira vez em cinco meses, o dólar fechou ontem um dia abaixo da marca dos R$ 2,90. A moeda norte-americana caiu 0,58% e encerrou vendida a R$ 2,885. Esse é o menor valor desde o último dia 12 de abril, quando terminou cotada a R$ 2,882.
A entrada de recursos recém-captados no exterior por empresas e bancos favoreceu a terceira queda consecutiva do dólar, que acumula uma baixa de 1,5% no mês e 0,58% no ano. No fim de dezembro, a divisa era cotada a R$ 2,902.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar o juro de 16% para 16,25% ao ano, anunciada ontem à noite, foi bem recebida pelo mercado de câmbio. A maioria dos bancos defendia a alta da taxa sob o pretexto de conter a inflação.
Copom repercute bem
O aumento do juro teve repercussão positiva também no exterior. O risco Brasil, que mede a desconfiança do investidor estrangeiro com os títulos do País, recuou 2,63% para 481 pontos, o menor desde janeiro. Quanto mais baixo esse indicador, menor o custo para tomar empréstimos no mercado internacional. Ou seja, a queda do risco estimula a busca de recursos no exterior por empresas e bancos.
Nos próximos dias, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deverá concluir uma captação externa. A empresa está oferecendo aos investidores US$ 200 milhões em títulos de dez anos. Ontem, a Petrobras confirmou a conclusão de uma emissão de US$ 600 milhões, realizada no último dia 1º, data da captação de 750 milhões de euros feita pelo governo federal.
Bovespa encerra em alta
O mercado financeiro reagiu bem ao anúncio da alta do juro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e teve ontem um dia de calmaria nos negócios. O Ibovespa, índice que reúne as 55 ações mais negociadas, fechou em alta de 2,38%, aos 22.875 pontos. Foi o terceiro pregão de ganhos. O pregão movimentou R$ 1,3 bilhão, acima da média do mês passado (R$ 1,2 bilhão).
Na noite de quarta-feira, o Copom anunciou uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juro (Selic), que passa para 16,25% ao ano. Foi a primeira elevação desde fevereiro do ano passado e a terceira do governo Lula. Em tese, uma alta de juros encarece o crédito, inibe o consumo e, por consequência, o crescimento da economia. Também eleva a dívida pública atrelada à taxa Selic. Por outro lado, ajuda a reduzir o risco de descontrole da inflação, como defende o Copom. Desde abril, o juro estava em 16% ao ano.
Para os bancos, responsáveis pela maior parte das operações no mercado, a alta dos juros é positiva, pois as instituições financeiras tendem a lucrar mais com os títulos públicos.
Destaques do pregão
A ação preferencial (sem direito a voto) da AmBev subiu 1,70% e teve o segundo maior volume de negócios, atrás do papel da Telemar. Na quarta-feira, a fabricante de cerveja anunciou um novo programa de recompra de ações no valor de R$ 500 milhões. Já o papel PN da Embraer esboçou uma reação e subiu 0,19%. Mas sua ação ordinária (com direito a voto) liderou queda caindo 1,9%. Também na quarta-feira, a empresa anunciou a suspensão temporária da entrega de jatos para a americana US Airways, que pediu concordata no domingo.
Nos EUA, o índice Dow Jones subiu 0,13%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 0,40%. (Folhapress)





