MERCADO FINANCEIRO
Bovespa fecha com maior alta em 30 dias
Após três semanas de perdas devido ao temor de uma alta de juro, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tentou virar essa página ontem e cravou a maior alta percentual em quase 30 dias, na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O Ibovespa - que reúne as 55 ações mais negociadas - recuperou o patamar dos 22 mil pontos, que havia abandonado na sexta-feira passada, e fechou com uma alta de 2,29%, aos 22.309 pontos.
O volume financeiro de R$ 1,155 bilhão, acima da média diária do ano, contrariou a retórica tradicional de que a cautela dos investidores retrai os negócios no pregão na véspera do Copom. Só quatro das 55 ações do Ibovespa fecharam em baixa.
Bancos e Selic
Certa de que, hoje à noite, o Copom anunciará a primeira alta dos juros desde o início da guerra do Iraque, a Bovespa encontrou fôlego para retomar a sua trajetória de alta na esperança de que a taxa subirá só 0,25 ponto percentual, e não 0,50 ponto percentual como defendem alguns bancos. Desde abril a Selic está em 16% ao ano.
Uma dessas instituições é o Bradesco, maior banco privado do País, que divulgou ontem que sua expectativa é de uma alta de 0,50 ponto percentual. ''O balanço de riscos para a inflação sugere a necessidade de cautela adicional por parte da política monetária. Essa cautela irá se manifestar por meio de um aumento de 0,5 ponto percentual da taxa básica, para 16,5%, sem viés. Essa seria também a decisão ideal. Trata-se de um sinal necessário de compromisso com a meta de inflação do próximo ano'', citou o relatório do Bradesco.
Para os bancos, uma alta dos juros é positiva, pois eleva os seus ganhos com os títulos públicos do governo - uma das principais fontes de lucros do sistema financeiro nacional. Porém, alguns analistas consideram que a elevação da taxa pode desestimular investimentos, pois encarece o crédito e afeta o sentimento do consumidor e dos empresários.
Telemar e Light
Olhando para o comportamento das ações do índice, há motivos corporativos para a alta da Bovespa hoje. A ação preferencial da Telemar, a mais negociada, subiu 2,70% para R$ 37,92, e movimentou R$ 176,9 milhões (17,9%) do giro total. Os investidores respiraram aliviados com a desistência da empresa de participar do leilão das licenças para operar telefonia celular em São Paulo, o que exigiria investimentos e despesas, elevando o nível de endividamento da empresa.
O setor de energia também apresentou ganhos. O destaque foi a ação ordinária da Light, que disparou 5,4%, cotada a R$ 58, a maior alta do dia. Com a alta de ontem, o Ibovespa passa a acumular leve alta de 0,3% no ano. Nos EUA, o índice Dow Jones subiu só 0,03%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou apenas 0,26%. O risco Brasil caiu 1,96%, aos 498 pontos.
Dólar praticamente estável
A moeda norte-americana fechou praticamente estável, ontem, cotada a R$ 2,91 (-0,03%). Durante a maior parte dos negócios, os bancos voltaram a inibir uma queda do dólar, pois querem receber mais reais do governo amanhã, quando títulos cambiais -no valor de US$ 1,073 bilhão- serão retirados do mercado. A moeda norte-americana chegou a ser cotada por um valor máximo de R$ 2,918, uma alta de 0,24%. Para definir a remuneração dos papéis cambiais que serão resgatados, o Banco Central usará a taxa oficial do dólar, conhecida como ''ptax'', da véspera do vencimento da dívida. (Agência Folha)





