MERCADO FINANCEIRO
Queda do risco país eleva captação externa
Antes de chegar à sua metade, o mês de setembro já registra o maior volume de captações de recursos feitas por empresas e bancos no exterior desde janeiro. Com as operações anunciadas ontem pelo Unibanco e pelo Banco do Brasil, o volume captado alcançou US$ 1,02 bilhão neste mês.
A emissão de 750 milhões de euros em títulos concluída pelo governo federal na semana passada, somada à elevação da nota de risco de crédito do Brasil anunciada pela agência Moody's, melhorou ainda mais as perspectivas para esse tipo de operação.
Ontem, o Banco do Brasil fechou operação de captação de US$ 300 milhões pelo prazo de dez anos. O Unibanco anunciou que captou US$ 100 milhões. Os títulos oferecidos pelo BB foram adquiridos principalmente por investidores institucionais norte-americanos e europeus. O BB tinha lançado uma operação de captação em julho mas, como o mercado externo estava fraco, acabou adiando-a.
Cenário mais favorável
''O arrefecimento da turbulência que agitou o mercado financeiro recentemente e a queda do risco-país brasileiro deixaram o cenário internacional mais favorável. Empresas e bancos devem aproveitar essa ''janela' nos próximos meses'', avalia Paulo Gomes, estrategista da consultoria Global Invest.
Além de ter ficado mais barato para empresas e instituições financeiras pegar dinheiro emprestado lá fora - devido ao risco-país menor, que fechou ontem a 508 pontos -, o apetite dos investidores internacionais por papéis de países emergentes melhorou nas últimas semanas.
Para os próximos dias, o mercado espera que a Gerdau realize uma operação de captação de aproximadamente US$ 100 milhões, destinada a rolar vencimentos da empresa. Também é aguardado o fechamento de uma operação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no montante de US$ 200 milhões.
Bovespa fecha em queda
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu forças pelo terceiro pregão consecutivo com a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará, amanhã, a primeira alta dos juros desde o início da guerra do Iraque, em março do ano passado. O Ibovespa, que reúne as 55 ações mais negociadas, caiu 0,72% e fechou aos 21.809 pontos, menor nível desde 16 de agosto. No ano, a baixa acumulada subiu para 1,9%. O volume financeiro somou apenas R$ 940,709 milhões, abaixo da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão).
Desde a semana passada, os preços das ações caem, prejudicadas pelo temor de que o Banco Central coloque um freio no ritmo de crescimento da economia para conter o avanço da inflação. Termômetro da Bovespa, a ação preferencial da Telemar, a mais negociada, encerrou em queda pelo segundo dia e atingiu o menor preço desde 28 de junho. O papel recuou 2,19% para R$ 36,92. No mês passado, estava acima de R$ 40.
Dólar sobe 0,27%
O dólar subiu ontem 0,27% para R$ 2,911. Foi a segunda alta seguida. Desde a sexta-feira, os bancos inibem uma queda da moeda americana, pois querem receber mais reais do governo na próxima quinta-feira, quando serão retirados do mercado títulos cambiais no valor de US$ 1,073 bilhão.
Para definir a remuneração desses papéis, o Banco Central usará a taxa oficial do dólar, conhecida como ''ptax'', da véspera do vencimento da dívida. Ou seja, interessa aos credores do governo que essa média das cotações esteja na próxima quarta-feira no patamar mais elevado possível, a fim de garantir lucros com os títulos resgatados. (Agência Folha)





