Dólar fecha semana em alta de 0,10%

O dólar interrompeu ontem uma sequência de quatro quedas e fechou com pequena alta de 0,10%, vendido a R$ 2,903. Na semana encurtada pelo feriado do 7 de setembro, a moeda dos EUA acumulou baixa de 0,85%. Pelo terceiro dia seguido, a divisa chegou a ser vendida abaixo dos R$ 2,90, atingindo valor mínimo de R$ 2,896, queda de 0,13%. Mas os bancos evitam negociar a moeda nesse patamar, apesar da perspectiva de maior oferta com a entrada crescente de recursos no país.

A captação pelo governo de 750 milhões de euros, feita na quarta-feira, abriu espaço para a tomada de empréstimos no exterior por empresas. No mesmo dia, a Petrobras emitiu US$ 600 milhões. A siderúrgica CSN e o Banco do Brasil pretendem tirar do forno suas emissões.

Por enquanto, os bancos têm o interesse de manter o dólar acima dos R$ 2,90, pois carregam títulos cambiais do governo. Na próxima quinta-feira, vence US$ 1,073 bilhão nesse tipo de papel. O Banco Central já avisou, na última segunda-feira, que resgatará toda essa dívida. As instituições financeiras credoras tendem a segurar a cotação com o objetivo de manter seus ganhos com os títulos cambiais que estão vencendo. É o valor do dólar oficial (ptax, no jargão) da véspera que definirá a remuneração desses papéis.



Especulações e juros

As especulações sobre a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os juros básicos da economia, a ser anunciada na quarta-feira, devem continuar como um dos pretextos dos bancos para a divisa se sustentar acima de R$ 2,90.

Ontem, a divulgação do Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto -acima das expectativas - fez crescer a expectativa de alta de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, fixada em 16% ao ano desde abril.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato DI (Depósito Interfinanceiro, que considera as taxas entre os bancos) da virada do mês projetou juro de 16,10% ao ano, mas chegou a atingir durante o pregão máxima de 16,16%. Considerando o custo diário do dinheiro, medido pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), esse contrato da BM&F embute uma previsão de alta de até 0,50 ponto percentual no juro.



Bovespa: 3 semana de perdas

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem a terceira semana consecutiva de perdas, abatida pelo temor de que o Banco Central aumente os juros e coloque um freio no ritmo de crescimento da economia para conter o avanço da inflação. Com receio de uma consequente queda nos lucros das companhias, investidores aumentam as vendas de ações e procuram refúgio em aplicações de menor risco.

Ontem o Ibovespa - índice das 55 ações mais negociadas - encerrou em baixa de 1,43%, atingindo 21.968 pontos, menor nível desde 16 de agosto. Na semana, o indicador acumulou perda de 1,9%. No ano, voltou ao vermelho com baixa acumulada de 1,2%.

Termômetro da Bovespa, a ação preferencial da Telemar encerrou em queda de 0,29%, negociada a R$ 37,75. No mês passado, estava acima de R$ 40. Só quatro papéis fecharam ontem com valorização. Um deles é o da Gerdau, com leve alta de 0,02%, cotado a R$ 45,86. Ontem à noite, a siderúrgica anunciou a compra de quatro usinas de aço e quatro unidades de transformação nos EUA, pertencentes a Cargill. O preço da aquisição (US$ 266 milhões) foi considerado baixo, embora analistas ainda estão com dúvidas sobre o impacto do negócio, já que a Gerdau também assumirá dívidas das unidades adquiridas. (Agência Folha)

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