Juro e petróleo ofuscam Moody's

Um dia após o sucesso do governo na captação de 750 milhões de euros no exterior, o dólar voltou a ser pressionado ontem pelo temor de alta dos juros e pela disparada do preço do petróleo. A moeda dos EUA chegou a subir até 0,41%, na máxima de R$ 2,913. Mas a divisa passou a recuar após o anúncio da melhora do ''rating'' do Brasil e encerrou quase estável, a exatos R$ 2,90 (-0,03%).
A perspectiva de entrada de recursos no país ainda é positiva. A venda de bônus pelo Tesouro abriu espaço para a tomada de empréstimos pelas empresas. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) contratou o Citigroup para captar até US$ 300 milhões com títulos de 15 anos. Já o Banco do Brasil deve, na próxima semana, fechar uma operação entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões, por meio de emissão de títulos de dívida subordinada (em caso de falência, é a última a ser paga), com prazo de dez anos.

Dólar fecha a R$ 2,90

A melhora do ''rating'' (nota de crédito) do Brasil pela agência de classificação de risco Moody's, anunciada no início da tarde, fez o dólar ser negociado abaixo do patamar de R$ 2,90 pelo segundo dia consecutivo. Na mínima, a divisa caiu 0,10%, vendida a R$ 2,898. Mas ainda há fatores de risco que impedem o mercado de abandonar a casa dos R$ 2,90.
O contrato de petróleo fechou cotado a US$ 44,61, em alta de 4,30%. A queda das reservas americanas e as preocupações geopolíticas voltaram a pressionar o preço do barril. Ontem, a explosão de um carro-bomba em frente à Embaixada da Austrália, em Jacarta, na Indonésia, matou oito pessoas e deixou 161 feridos.
Às vésperas do aniversário de três anos dos atentados do 11 de Setembro, alguns investidores se mostram mais atentos às tensões geopolíticas. Na semana passada, um sequestro em uma escola russa - atribuído ao ''terrorismo tchetcheno''- deixou centenas de mortos.

Medo da inflação
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato DI (Depósito Interfinanceiro) da virada do mês projetou juro de 16,03%, acima da taxa do fechamento de ontem (16,01%) e da atual Selic (16%), devido à divulgação do IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) de agosto. A inflação subiu para 1,31%, acima das expectativas (0,92%).
Nas últimas semanas, os juros futuros passaram a subir com o temor de um descontrole da inflação e de uma alta dos juros, que estão em 16% ao ano desde abril. A última ata do Copom reforçou sinais de que poderá elevar a taxa para conter a inflação. Na quarta-feira, o Copom anuncia sua decisão sobre o rumo da taxa Selic.
O temor de alta dos juros também derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa -que reúne as 55 ações mais negociadas- fechou em baixa de 1,10%, aos 22.286 pontos. O pregão movimentou R$ 1,250 bilhão, acima da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão). No mês, o índice já acumula perda de 2,2%.
Destaque para a ação preferencial da catarinense Chapecó que acumula uma valorização expressiva de 171% nos últimos seis pregões, desde o anúncio da venda da Seara para a americana Cargill. O papel saiu de R$ 0,24 no último dia 31 para R$ 0,64. Só ontem, a alta foi de 51,16%. O mercado especula que a Chapecó pode ser adquirida pela Sadia ou Perdigão em uma espécie de reação das líderes do mercado de carnes para enfrentar a concorrência da Cargill. (Agência Folha)

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