MERCADO FINANCEIRO
Dólar em queda e clima de otimismo
Após o feriado do Dia da Independência, o mercado brasileiro retomou a semana em clima de otimismo. Ontem, o dólar teve a terceira queda consecutiva (-0,30%) e fechou cotado a R$ 2,901 - o menor valor desde o último dia 14 de abril. A moeda dos EUA chegou a custar menos de R$ 2,90. Houve negócios com uma cotação mínima de R$ 2,897, uma baixa de 0,44%. Mas a divisa não conseguiu ficar por muito tempo abaixo do patamar psicológico de R$ 2,90.
A perspectiva de entradas de recursos no País favoreceu a queda do dólar. Alimentou esse otimismo o anúncio sobre a venda pelo governo de um bônus de oito anos, em euro. Segundo analistas, a emissão de títulos pelo Tesouro abre caminho para captações privadas. Após um jejum de nove meses, a Petrobras fechou uma captação de US$ 600 milhões a US$ 900 milhões com títulos de dez anos. Outras empresas brasileiras devem vender bônus no exterior, aproveitando a ''janela de oportunidades'' aberta pelo mercado internacional. Entre elas, os analistas citam a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o Banco do Brasil.
Apostando no Brasil
O risco Brasil abaixo dos 500 pontos ontem reduziu o custo da tomada de empréstimo no exterior. O indicador, medido pelo banco americano JP Morgan, está no menor patamar desde janeiro, em torno de 496 pontos. Isso mostra que os investidores estrangeiros voltaram a apostar no Brasil. Sem perspectiva de uma forte alta dos juros nos EUA, os papéis dos países emergentes, liderados pelo Brasil, oferecem a possibilidade de um lucro maior e mais rápido. Há outros fatores animando os credores da dívida: nas últimas semanas, o governo Lula divulgou dados de recuperação da economia, além dos recordes do superávit primário (economia para pagar juro), da arrecadação de imposto e balança comercial. Desde a semana passada, analistas já falavam da possibilidade de a moeda dos EUA testar a mínima de R$ 2,90. Neste ano, o dólar teve seu menor valor (R$ 2,79) em 12 de janeiro. Em agosto, a divisa acumulou a maior queda (3,58%) em 14 meses.
Bovespa tem pequena alta
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou ontem a subir mais de 2%, animada com o anúncio de uma venda de títulos da dívida externa pelo governo, mas a forte alta evaporou no período da tarde após o Planalto voltar a acenar com uma alta dos juros. O principal índice da Bolsa paulista fechou com leve alta de 0,15%, aos 22.534 pontos. O volume financeiro somou R$ 1,178 bilhão, um pouco acima da média diária do ano (R$ 1,156 bilhão).
Em discurso na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Rio, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que um aumento de 0,5 ponto percentual nos juros básicos não afetaria a rota de crescimento do país. No próximo dia 15, o Copom (Comitê de Política Monetária) anuncia sua decisão sobre a taxa Selic, fixada em 16% desde abril.
Na ata da última reunião, o Banco Central já havia reforçado os sinais de que poderia elevar os juros para conter a inflação. Em tese, a subida da taxa deixa o investimento em ações menos atrativo, pois estimula a migração de recursos para aplicações de renda fixa (atreladas aos juros).
O mercado americano também não ajudou. O índice Dow Jones caiu 0,28%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,42%. (Agência Folha)





