Dólar interrompe sequência de quedas

Após quatro quedas, o dólar fechou ontem em alta de 0,13%, vendido a R$ 2,956, acompanhando o dia negativo em outros segmentos do mercado, prejudicados pela ameaça do Banco Central (BC) de aumentar os juros -provalmente em novembro, após as eleições - para conter a inflação. O risco Brasil avançou 2,5%, somando 535 pontos. O Ibovespa abandonou o patamar de 23 mil pontos com uma queda na casa de 2%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os juros futuros subiram.

Esses indicadores refletiram, em parte, o tom pessimista da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada durante a manhã de ontem. No documento, o Banco Central sinalizou uma alta do juro básico da economia citando o risco de um aumento dos preços devido à escalada do petróleo.



Nova denúncia

Também contribuiu para a maior cautela dos investidores a nova denúncia envolvendo o nome do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O Ministério Público do Trabalho em Goiás está investigando supostas irregularidades em acordos trabalhistas feitos pelo BankBoston com seguranças que trabalharam na campanha eleitoral de Meirelles em 2002.

Nos EUA, as Bolsas também operaram em campo negativo, influenciadas pelo aumento no número de pedidos de auxílio-desemprego no país, que veio acima do esperado pelos economistas. Em Wall Street, ganhou força a aposta de que o Federal Reserve, o BC americano (Fed) deve manter os juros na próxima reunião. O Dow Jones caiu 0,08%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,42%.


Bovespa cai 2,07%

O Ibovespa (ranking das 54 ações mais negociadas) abandonou ontem o recém-conquistado patamar de 23 mil pontos e fechou em queda de 2,07%, aos 22.582 pontos, abatido pela ameaça do Banco Central de elevar os juros - talvez em novembro, após as eleições municipais - para conter a inflação. O índice paulista ainda acumula ganho de 1% no mês e de 1,5% no ano. O pregão foi fraco, movimentando apenas R$ 807,759 milhões, abaixo da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão).

A ação do Pão de Açúcar caiu 3,52%, cotada a R$ 60,68. O papel sofreu com a avaliação de que o BC elevará os juros para conter a inflação. Nesse cenário, o investimento em ações se torna menos atraente, levando o investidor a migrar recursos para aplicações em renda fixa. Só Braskem PNA escapou das baixas e subiu 1,4%, para R$ 77,10. A empresa é a maior indústria petroquímica do País.

A maior queda do Ibovespa atingiu Telesp Celular PN (-5,8%, a R$ 7,63). Ontem, o grupo Vivo anunciou plano de recompra de ações de quatro operadoras.
A Telesp Celular vai ser usada para a compra dos papéis da TCO (Tele Centro Oeste Celular), o que reacende a preocupação com o nível de endividamento da companhia. (Agência Folha)

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