MERCADO FINANCEIRO
Dólar tem o menor valor desde maio
O recuo do petróleo no mercado internacional e a trajetória de queda do risco Brasil trouxeram tranquilidade para o mercado de câmbio ontem. Segundo analistas, as quedas consecutivas do dólar refletem o bom momento dos países emergentes desde que os índices de inflação nos EUA deram sinais de que estão sob controle. A moeda norte-americana encerrou os negócios cotada a R$ 2,957, em baixa de 0,23%. É o menor valor desde 5 de maio (R$ 2,955). No mês, o dólar acumula queda de 2,67%.
Com a retomada das exportações no Iraque, o petróleo fechou em baixa pelo terceiro dia seguido, a US$ 45,21. O risco Brasil, indicador da confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira, operava em baixa de 0,76%, aos 519 pontos no fim da tarde. Este é o menor patamar dos últimos seis meses.
Segundo o vice-presidente executivo de tesouraria do banco alemão West LB, Flávio Farah, o país está diante de uma janela de oportunidades favorável aos emergentes. ''A queda dos preços nos EUA melhorou o humor dos investidores com os países emergentes, em especial com o Brasil'', afirma.
Com a melhora dos indicadores, crescem as expectativas por uma nova emissão soberana. O País ainda precisa captar US$ 1 bilhão para cumprir a meta prevista para este ano. As empresas também devem ser beneficiadas por este cenário de boa aceitação dos papéis brasileiros. O Banco Votorantim deve concluir até o fim desta semana uma captação de US$ 100 milhões, com prazo de três anos. A operação é liderada pelo Itaú e pelo Itaú BBA. Circulam no mercado rumores de que o Bradesco estaria iniciando uma captação de US$ 50 milhões com prazo de dois anos.
Nota de crédito
A Standard & Poor's reafirmou ontem o rating (nota de crédito) do Brasil. A agência de classificação de risco também reafirmou a perspectiva positiva atribuída em dezembro do ano passado com a redução da vulnerabilidade externa do país, com a melhora dos resultados da balança comercial. Segundo Lisa Schineller, analista da S&P, ''a perspectiva de crescimento do Brasil no médio prazo ainda é vulnerável, condicionada a um aumento no volume de investimentos do setor privado''. Desde que o risco Brasil começou a ceder circularam no mercado rumores de que uma agência de classificação de risco estaria prestes a melhorar a avaliação do País. Analistas esperam agora que a mudança aconteça no fim do ano ou no início de 2005.
Bolsa fecha estável
O pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem mostrou que os investidores estão relutantes em comprar no patamar atingido depois de cinco altas seguidas e uma valorização de mais de oito por cento na semana passada. O Ibovespa fechou praticamente estável nesta sessão, com oscilação positiva de 0,08 por cento, a 22.870 pontos. O volume financeiro ficou levemente abaixo da média, em 1,06 bilhão de reais.
As ações da AmBev registaram a maior queda do Ibovespa nesta sessão, de 3,41% para R$ 639. Já as preferenciais da Telemar, as mais líquidas do pregão, subiram 0,25%, para R$ 40,30. (Das agências)





