MERCADO FINANCEIRO
STF sustenta alta na Bovespa
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu resistir à pressão externa e fechou em alta pelo quarto pregão seguido ontem, impulsionada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de aprovar a contribuição de servidores inativos. A decisão era considerada importante pelo mercado, para quem uma derrota do governo sinalizaria dificuldade no avanço de outras reformas, além de colocar em risco as metas de superávit fiscal.
O ânimo da bolsa, entretanto, foi contida pela queda em Wall Street, depois que o petróleo atingiu 48,75 dólares o barril. O índice norte-americano Dow Jones, referência do mercado, fechou com baixa de 0,42 por cento, depois de cair quase 1 por cento no final da tarde. O Ibovespa, que chegou a subir 2,22 por cento pela manhã, encerrou com alta de 0,69 por cento, a 22.934 pontos. O volume financeiro foi 1,26 bilhão de reais.
Um dos destaques do pregão foram as ações da Companhia Vale do Rio Doce, que subiram 0,97 por cento e registaram o terceiro maior volume de negócios. Os papéis da Petrobras também contribuíram para o bom desempenho da bolsa paulista, ao subirem 1,55 por cento, ainda embaladas pelo elevado lucro trimestral da companhia. As preferenciais da Telemar, as mais líquidas do pregão, caíram 0,5 por cento, para 39,80 reais.
Dólar fecha em leve alta
Depois de cinco quedas consecutivas, a moeda norte-americana encerrou os negócios ontem cotada a R$ 2,987, com leve alta de 0,1%. O temor de que o aumento da violência no Iraque prejudique o fornecimento de petróleo levou o barril do produto a fechar com novo recorde, de US$ 47,80, em Nova Iorque. Ontem, a sede da petrolífera South Oil na cidade portuária de Basra no Iraque foi incendiada durante um ataque.
Analistas temem que a manutenção dos altos preços do petróleo prejudique o crescimento da economia mundial. Além disso, com a sucessão de recordes, especula-se que seja anunciado um novo aumento dos combustíveis, o que poderia pressionar ainda mais os índices de inflação no Brasuk.
Cautela e captações
Apesar da cautela com o cenário externo, as instituições financeiras voltaram a captar recursos no mercado internacional. O Banco Votorantim anunciou ontem o início de uma captação de US$ 100 milhões com prazo de três anos. O Itaú e o Itaú BBA coordenam a operação. E o Banco Santos concluiu ontem a reabertura de uma captação de US$ 18 milhões encerrada em julho. Segundo Carlos Gribel, sócio-diretor da Eurovest Securities, que liderou a operação, o banco resolver atender a demanda de alguns clientes privados. O banco captou mais US$ 6,5 milhões. O preço do título ficou em 99,75% do seu valor de face. Os papéis vão pagar juro nominal de 6% ao ano e a remuneração ao investidor será de 6,30% ao ano.
Para o analista de câmbio da corretora Souza Barros, Ideaki Iha, as captações estão apenas começando. ''Com a queda do risco-país, a tendência é de entrada de recursos, a menos que o mercado passe por outro grande estresse'', afirmou.
O risco Brasil opera no menor nível desde abril. No fim da tarde de ontem, o indicador da confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira recuava 0,54%, para 547 pontos. (Das agências)





