MERCADO FINANCEIRO
Dólar tem quinta queda seguida
A aposta na vitória do Governo na votação da contribuição dos inativos levou o dólar a fechar em baixa ontem pelo quinto dia consecutivo. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou ontem o julgamento da principal mudança da Reforma da Previdência. No fim da tarde, o governo vencia por 3 votos a 2. A moeda norte-americana encerrou os negócios em baixa de 0,36%, a R$ 2,984. Este é o menor patamar desde o dia 5 de maio, quando o dólar fechou cotado a R$ 2,955. Nos últimos cinco dias, a moeda cedeu 1,78%.
O clima de otimismo não contagiou apenas o mercado de câmbio, a Bolsa e os títulos da dívida externa também registraram valorizações expressivas. A Bovespa fechou em alta de 3,26%. Pouco após as 17h, o C-Bond subia 0,25%, a 96,5% do seu valor de face. Com isso, o risco Brasil, indicador da confiança do investidor estrangeiro na economia brasileira, recuou para 541 pontos, com queda de 2,34%, o menor nível desde o dia 13 de abril.
Focos de preocupação
Segundo o chefe da mesa de câmbio do banco ING, Alexandre Vasarhely, o ingresso de recursos garantiu a nova queda do dólar. ''É fruto de fluxo, principalmente de hedge funds (fundos multimercados de perfil agressivo) americanos e estrangeiros'', diz.
Apesar do otimismo, o avanço do petróleo permanece entre os focos de preocupação. Em Nova York, o barril do cru para setembro fechou ontem cotado a US$ 47,27, um novo recorde. Os temores sobre a escassez de oferta do produto pressionaram as cotações. Para Vasarhely, os sucessivos recordes ainda não chegaram a afetar o mercado de câmbio. ''Outros ativos têm reagido de forma mais agressiva, o investidor permanece atento, mas as cotações ainda não foram influenciadas pela alta'', diz.
Bolsa sobe 3,26%
A Bovespa disparou ontem mais de 3%, favorecida pelos ganhos em Wall Street e a expectativa de uma vitória do governo no julgamento da contribuição dos servidores inativos no STF. O Ibovespa - que reúne as 54 ações mais negociadas - fechou em alta de 3,26%, aos 22.778 pontos, maior patamar em quatro meses (desde 12 de abril). Em percentual, é a maior variação positiva em um único dia desde 27 de maio (+3,49%), quando foi divulgado que a economia brasileira cresceu no primeiro trimestre 1,6% sobre os últimos três meses de 2003, o maior índice nesse tipo de comparação desde 1999.
O volume financeiro atingiu R$ 3,317 bilhões, inflado pelo exercícios dos contratos de opções sobre o índice (R$ 780,2 milhões). Devido ao forte giro, o Mega Bolsa (sistema eletrônico da Bovespa) chegou a ficar fora do ar por 20 minutos, no início da tarde, segundo operadores da Bolsa. Mas a falha não prejudicou os negócios feitos no homebroker (transações via internet).
Carro-chefe do mercado, Telemar PN subiu 3,65%, vendida R$ 40. Só a ação ON da Embraer encerrou em baixa, de apenas 0,1%, a R$ 14,60. O papel PN da Petrobras avançou 1,06% para R$ 80,75. Já Vale PNA ganhou 1,81% a R$ 145,59. (Agência Folha)





