Dólar tem menor preço desde 19 de julho

O dólar voltou ontem a ser cotado abaixo de R$ 3,00. A moeda norte-americana encerrou os negócios em queda de 0,40%, a R$ 2,996. Foi a menor cotação de fechamento desde 19 de julho passado. O bom desempenho do câmbio respondeu à baixa inflação nos EUA e a os resultados positivos da economia brasileira.

O mercado de câmbio começou a operar em baixa logo de manhã, quando foi divulgada a inflação do varejo nos EUA, o CPI, que registrou queda de 0,1%, quando a expectativa dos analistas era de alta de 0,1%. Com inflação contida, o mercado passou a reavaliar a tendência de alta dos juros nos EUA. Chegou-se a comentar que o Fed poderá até interromper a alta dos juros.

A notícia sobre o CPI caiu como uma luva num mercado com fraca demanda por dólares. A economia brasileira vem mostrando resultados surpreendentemente positivos e o mercado de câmbio tem operado com estabilidade, sem surpresas. ''Comprar dólar agora para quê?'', comentou um operador, ao observar o forte fluxo positivo da moeda. ''Já tem gente falando em superávit comercial de US$ 33 bilhões este ano'', justificou.




Componente especulativo

O senão ontem nas operações com câmbio foi o petróleo, que voltou a fechar em alta. Mesmo assim, o mercado está começando a reduzir a importância dessas altas do óleo. ''Existe um componente especulativo nas atuais altas do petróleo. E o mercado está atento a isso'', disse um operador.

Operadores também comentaram que a medida provisória que dá status de ministro ao presidente do Banco Central foi recebida com reservas, mas com viés positivo. A preocupação é que uma discussão sobre esse tema poderá ser mais um fator de debate político, com eventual desgaste para o governo. Por outro lado, a blindagem do presidente do BC é um tema que agrada ao mercado, qualquer que seja o partido que esteja no governo.

Sobre a ''operação Farol da Colina'', houve quem falasse tratar-se de mais uma ''operação para caçar doleiros'', como outras que já aconteceram. Mas, se a intenção for caçar nomes importantes para a economia, aí a ''Farol da Colina'' poderá causar alguma apreensão. Por enquanto, o mercado monitora o tema à distância.





Nas Bolsas, dia positivo

A deflação nos preços ao consumidor nos Estados Unidos deu a senha para mais um dia positivo no mercado brasileiro. O petróleo subiu, mas Wall Street não foi muito afetada. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,18% e o Nasdaq subiu 0,70%. O Ibovespa registrou valorização de 1,36%, para 22.060 pontos, com volume financeiro de R$ 967 milhões.

Os destaques do Ibovespa foram as ações do setor de telecomunicações. Primeiro, porque estavam atrasadas. Segundo, porque só ontem o mercado esteve livre para comemorar a definição dos reajustes advindos da diferença do IPCA para o IGP-DI nas tarifas de telefonia fixa (ontem houve o exercício de opções). Brasil Telecom PN subiu 3,32% e Embratel PN ganhou 3,32%, a quinta e sexta maiores altas do índice. Estas valorizações acabaram se estendendo para as celulares. CRT PNA subiu 5,15% e liderou o ranking. Outros papéis que se destacaram foram Tele Celular Sul PN (4,09%), Tele Centro Oeste Celular PN (3,31%) e Telemig Celular PN (2,84%).

Apenas sete ações do Ibovespa fecharam em queda. Os piores desempenhos foram de Embraer ON (-2,00%), Klabin PN (-1,72%), Embraer PN (-1,18%) e Ambev PN (-1,16%). (Agência Estado)

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