Dólar reduz queda com escalada do petróleo

O avanço do preço do petróleo no mercado internacional minimizou ontem os efeitos positivos da entrada de recursos no mercado de câmbio. A moeda norte-americana encerrou os negócios a R$ 3,035, em leve baixa de 0,09%. Na mínima do dia, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,026.

Segundo analistas, a ação de exportadores e o fluxo positivo impediram que o mercado de câmbio refletisse a tensão dos agentes no mercado internacional com os novos recordes no preço do petróleo. ''O que tem segurado o dólar nesta cotação é o exportador'', afirmou o analista Júlio César Vogeler, da corretora Didier Levy.

Segundo a diretora da AGK Corretora de Câmbio, Miriam Tavares, caso o preço do petróleo permaneça acima dos US$ 45, o dólar pode voltar a subir. ''As expectativas econômicas no cenário interno e a inflação ainda não são fatores de preocupação, mas a escalada do petróleo pode afetar a trajetória do dólar'', diz.



Bovespa fecha estável

A Bovespa tentou subir ontem, mas foi arrastada pela temporada de lucros decepcionantes em Wall Street. No fim dos negócios, o Ibovespa - que reúne as 54 ações mais negociadas - terminou estável, aos 21.570 pontos. Durante a manhã, o índice paulista chegou a valorizar até 0,70%. O pregão movimentou R$ 1,029 bilhão, abaixo da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão).

Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 1,24%, enquanto a Bolsa eletrônica Nasdaq recuou 1,68%. O pivô da queda foi um lucro abaixo do esperado anunciado pela Hewlett-Packard, gigante do setor de impressoras e computadores. As ações da HP desabaram 13,17%.


Avaliações pessimistas

Foi o segundo dia consecutivo em que a divulgação de avaliações pessimistas por grandes empresas sobre o ritmo de crescimento da economia americana desanima o mercado de ações. Ontem, a Cisco, maior fabricante mundial de equipamentos de infra-estrutura para internet, já havia derrubado a Nasdaq.

Os resultados e estimativas frustrantes das gigantes americanas contrariam o discurso feito na última terça-feira pelo Federal Reserve (Fed), o BC americano, que falou em ''forte expansão'' da economia nos próximos meses, após elevar os juros de 1,25% para 1,50%.


Balanços positivos

Fora as más notícias do cenário externo (como o novo preço recorde do petróleo), a Bovespa foi tomada por uma onda de balanços positivos. As ações da Companhia Vale do Rio Doce registraram alta significativa. Os papéis PNA avançaram 2,1% para R$ 137,60, quarta maior valorização do Ibovespa, seguidos pelas ações ON (+2%, a R$ 163). Na noite de quarta-feira, a mineradora divulgou lucro recorde de R$ 1,6 bilhão no segundo trimestre, um crescimento de 32% na comparação com igual período do ano passado.

Já as ações do Pão de Açúcar, maior grupo varejista do País, subiram 3,7%, cotadas a R$ 58,70. Ontem, a companhia divulgou que registrou, em julho, o primeiro crescimento real (10,3%) de vendas em 14 meses. (Agência Folha)

mockup