MERCADO FINANCEIRO
Bovespa cai após Cisco derrubar Nasdaq
A Bovespa voltou ontem a fechar no vermelho, um dia após subir mais de 2% animada com o otimismo do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, em relação ao ritmo de crescimento da maior economia do mundo. O Ibovespa, que reúne as 54 ações mais negociadas da Bolsa paulista, encerrou em baixa de 0,77%, aos 21.569 pontos. O pregão movimentou R$ 1,228 bilhão, acima da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão), o que não ocorria desde a quinta-feira passada.
A queda das ações brasileiras acompanhou o dia negativo em Wall Street, onde a gigante Cisco colocou dúvidas sobre a pujança na recuperação das vendas do setor de alta tecnologia. A Bolsa eletrônica Nasdaq caiu 1,45%, visto que as ações da Cisco desabaram 10,61%. Mas o índice Dow Jones terminou quase estável (-0,06%).
Investidores desconfiados
Pretexto ou não para embolsar ganhos, os investidores ainda se mostram desconfiados em relação à consistência e o vigor dos lucros apresentados pelas companhias nesta temporada - principalmente após a cautela manifestada pela Cisco, maior fabricante mundial de equipamentos para infra-estrutura de acesso à internet.
Carro-chefe da Bovespa, a ação preferencial da Telemar subiu só 0,18%, cotada a R$ 37,65. Já a ação preferencial da Petrobras, que liderou o giro financeiro, também valorizou 0,18% e finalizou vendida a R$ 79,75. As ações dos setores de siderurgia e mineração continuaram o rali. A ação PN da Caemi avançou 2,15% para R$ 1,42. Já Gerdau PN teve alta de 3,97% para R$ 49,70.
Mesmo com a alta de algumas ações do setor de aço e minério, o Ibovespa não resistiu às quedas dos papéis de telecomunicações: Embratel PN liderou baixa (-5%), seguida por Brasil Telecom ON (-4%).
Dívida pressiona dólar
A tentativa de elevar os ganhos no vencimento de uma dívida cambial de US$ 1,529 bilhão previsto para hoje pressionou as cotações ontem. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,038, com alta de 0,29%. Na semana passada, o Banco Central renovou cerca de 18,4% do total da dívida. Durante a manhã, as tesourarias tentaram ''inflar'' as cotações a fim de elevar a Ptax (média oficial do dólar). Ela será utilizada na remuneração dos investidores.
De janeiro a maio, o BC realizou apenas resgates integrais de dívidas atreladas ao dólar. Em junho, o BC retomou a estratégia de renovar uma parte das dívidas em razão do aumento da procura por ''hedge'' (proteção contra o sobe-e-desce da moeda) com a piora no cenário externo.
A briga para formação da Ptax pôs fim ao otimismo no mercado de câmbio, após o aumento dos juros nos EUA em linha com as expectativas. Ontem, a moeda americana encerrou em baixa de 0,36% depois que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) elevou a taxa para 1,5% ao ano. (Agência Folha)





