Resistência contra a alta do petróleo

O petróleo seguiu em escalada, mas o mercado brasileiro manteve ontem uma extraordinária resistência, minimizando até o risco de a Selic ser elevada para conter futuras pressões inflacionárias. Isso porque a temporada de balanços das companhias abertas tem sido excepcional. Gerdau, CST e Itaú exibiram seu vigor, enquanto Embraer comemorou novo contrato bilionário. O Ibovespa fechou em queda de 0,33% e o giro financeiro somou R$ 1,228 bilhão. Já em Wall Street, o Dow Jones recuou 0,58% e o Nasdaq caiu 1,73%.

Em Nova York, o barril de petróleo para entrega em setembro subiu US$ 0,33 (0,75%), para US$ 44,15. Em Londres, o brent para mesmo mês avançou US$ 0,67, fechando a US$ 40,64. A pressão foi atribuída às declarações do presidente da Opep, Purnomo Yusgiantoro, de que o grupo não será capaz de aumentar imediatamente sua produção, o que piora o ambiente já deteriorado pelos problemas de produção da petrolífera Yukos e por temores de atentados terroristas.



Gerdau, Itaú e Embraer lideraram ranking

Aqui, o lucro da Gerdau cresceu 136,77% no primeiro semestre, sobre mesmo período do ano passado, totalizando R$ 1,3 bilhão. CST registrou resultado positivo de R$ 766 milhões nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 30%. O Banco Itaú lucrou R$ 1,824 bilhão no semestre, com crescimento de 22,4%. Por fim, a Embraer faz parte do consórcio da Lockheed, que venceu licitação de US$ 7 bilhões com o Pentágono, para fornecimento de aviões.

Estas ações lideraram o ranking do Ibovespa - índice das 54 ações mais negociadas. As maiores altas foram de Embraer ON (5,06%), Embraer PN (3,82%), Bradespar PN (3,26%), Gerdau PN (2,24%), CSN ON (2,21%) e Siderúrgica Tubarão PN (1,60%). O Ibovespa encerrou em baixa de 0,33%, aos 22.372 pontos, com giro financeiro de R$ 1,241 bilhão, acima da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão).



Dólar mantém 'ajuste' e fecha em alta

A preocupação do mercado com os efeitos do barril de petróleo acima de US$ 44 sobre a inflação e a economia mundial justificou a permanência do dólar comercial em alta pelo terceiro dia consecutivo. A moeda norte-americana subiu 0,20%, para fechar cotado a R$ 3,053.

O avanço de 0,53% acumulado pelo dólar de sexta-feira para cá é considerado um movimento de ajuste, segundo operadores, tendo em vista que a moeda contabilizou queda de 1,17% ante o real em julho. No ano, o ganho acumulado pelo comercial em relação ao real é de 5,17%, e a inflação pelo IGP-M foi de 8,18% até julho.

Embora causem desconforto, as denúncias contra Meirelles estariam sendo tratadas pelo mercado como ''intriga da corte'' e uma ''tentativa de desestabilização da equipe econômica''. Meirelles evita falar com a imprensa, mas estaria demonstrando disposição de ir ao Senado para dar explicações. A expectativa no mercado é de que ele compareça à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para tirar dúvidas sobre sua reputação até a próxima semana. (Agência Estado)

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