Mercado não compra cenário de crise

O mercado não comprou um cenário de crise após as novas denúncias feitas pela revista Veja sobre o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Houve um certo mal-estar no início dos negócios ontem, potencializado pelo alerta laranja em Nova York e Washington e pelas cotações do petróleo. Mas Wall Street também relevou o risco de ataques terroristas e o dia terminou com um tom mais positivo. O índice Dow Jones subiu 0,39% e o Nasdaq ganhou 0,25%. O Ibovespa fechou em alta de 0,50%, com 22.448 pontos e volume financeiro de R$ 812 milhões.

''Ninguém quer saber de notícia ruim'', sintetizou um operador. Após muita negociação, saiu o tão esperado novo modelo do setor elétrico, que a princípio parece agradar a gregos e troianos. Além disso, o presidente Lula deve definir nesta semana qual será a desoneração para investimentos em Bolsa. A economia está crescendo (gargalos são por ora preocupação secundária dos traders). Se a inflação não avançar muito - a ponto de autorizar uma elevação da taxa Selic -, não há por que deixar de investir em ações.



Petróleo em alta e siderurgia também

Mas é neste ''se'' que mora o perigo. Ontem o barril de petróleo chegou a roçar os US$ 44 em Nova York, com o contrato para setembro batendo na máxima de US$ 43,94. Devolveu um pouco da alta para fechar com ganho de US$ 0,02, cotado a US$ 43,82, o que aliviou os negócios.

A siderurgia continua sendo a darling dos investidores, pois o aumento da demanda já está provocando reajuste de preços. Siderúrgica Tubarão PN liderou o ranking do Ibovespa, com alta de 5,44%. O balanço desta companhia será divulgado hoje. Bradespar PN, que tem forte participação na Companhia Vale do Rio Doce, ficou em segundo lugar, com valorização de 3,88%. Usiminas subiu 2,55%, sétima colocada na lista.



No câmbio, cautela e baixa liquidez

No linguajar típico das mesas de operações, o mercado de juros ''ficou de lado'' ontem. Depois de elevar as projeções de juros futuros no período da manhã, refletindo as denúncias contra Meirelles (BC) e Cássio Casseb (BB) e também os alertas antiterror nos EUA, o mercado inverteu a mão e fechou os negócios, à tarde, em ligeira baixa. Na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), por ordem de maior liquidez, os DIs encerraram o dia projetando as seguintes taxas: DI janeiro/05, 16,64% (ante 16,65% na sexta-feira); DI de novembro/04, 16,17% (estável); DI de abril/05, 17,18% (17,19%) e DI de outubro/04, 16% (1 5,99%).

O mercado cambial optou pela cautela diante da nova escalada do petróleo, do alerta contra terrorismo nos Estados Unidos e das denúncias das revistas semanais contra o presidente do BC. Com a liquidez mais fraca e um fluxo financeiro negativo, o dólar comercial permaneceu em alta pelo segundo dia consecutivo, fechando a R$ 3,047.

A permanência do risco Brasil abaixo dos 600 pontos - ontem fechou em alta de 3 pontos, em 596 pontos-base - também aumenta a expectativa sobre anúncio de novas emissões externas. Voltaram a circular rumores nas mesas de câmbio de que a Vale do Rio Doce estaria com uma captação no forno entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões e o Banco do Brasil, de cerca de US$ 300 milhões, entre outras operações de menor valor. Os títulos brasileiros mais negociados fecharam nas máximas do dia: o C-Bond subiu 0,07%, para 94,4375 centavos de dólar. O Global 40 avançou 0,31%, para 98,50 centavos de dólar. (Agência Estado)

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