MERCADO FINANCEIRO
Dia de otimismo, dólar em queda
O fraco desempenho do mercado de trabalho norte-americano e os rumores de uma mudança no rating (nota de crédito) do Brasil levaram o dólar a registrar a terceira queda consecutiva ontem. Em dia de otimismo no mercado de câmbio, a moeda americana recuou 0,55% e fechou cotada a R$ 3,037. O número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentou em 4 mil na semana encerrada em 24 de julho. Foram registrados 345 mil pedidos, de acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA. Na semana anterior, houve uma queda de 9 mil pedidos. A fraca recuperação do mercado de trabalho norte-americano afasta o temor de uma elevação agressiva dos juros nos EUA.
Para o sócio-diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, a ação de exportadores e a perspectiva de um aumento gradual dos juros nos EUA deram o tom dos negócios. ''Hoje (ontem) foram negociados lotes grandes de exportação e o volume negociado aumentou'', afirmou.
Risco-País abaixo dos 600 pontos
Os títulos da dívida externa do Brasil se valorizaram ontem. No fim da tarde, o C-Bond avançava 0,66%, para US$ 0,94. Com a alta dos papéis, o risco-país voltou a ficar abaixo de 600 pontos. No mesmo horário, o indicador cedia 3,27%, a 591 pontos. Há o rumor de que uma agência de classificação de risco pode melhorar em breve sua avaliação sobre a economia do País.
Em tese, uma melhora do chamado ''rating soberano'' (nota que mede o risco de calote de um título emitido por um governo) favorece a tomada de empréstimos no exterior, pois sinaliza uma chance menor de moratória na dívida.
O vice-presidente executivo de tesouraria do banco alemão WestLB, Flávio Farah, descarta a confirmação do rumor. ''Apesar de estarmos surpreendendo com o superávit da balança comercial e com a melhora no perfil da dívida, acredito que as agências vão esperar a definição da contribuição dos inativos, prevista para agosto, antes de realizar mudanças'', diz.
Na Bovespa, giro baixo e leve alta
A ameaça do Banco Central de subir os juros prejudicou ontem o mercado de ações. Cautelosos, os investidores reduziram os negócios. O pregão paulista girou menos de R$ 1 bilhão. Mas a Bovespa fechou em leve alta de 0,27%. O Ibovespa (54 ações mais negociadas) encerrou aos 22.227 pontos e zerou as perdas acumuladas no ano. O volume financeiro da Bovespa somou R$ 944,510 milhões, abaixo da média do ano (R$ 1,1 bilhão). A um pregão para o fim de julho, o índice paulista já subiu 5,1% no mês.
A decepção com alguns lucros trimestrais também azedou o humor dos investidores ontem e deixou a Bolsa com pouca força para subir pelo terceiro dia. A ação da Telemar, a mais negociada, caiu 0,84% para R$ 40. Ontem, a empresa anunciou lucro de R$ 78 milhões no segundo trimestre, abaixo do esperado (R$ 180 milhões). Já a principal ação da Sadia desvalorizou 1,3%. O lucro da empresa no segundo trimestre somou só R$ 69,2 milhões, queda de 28,6%. O resultado frustrou analistas, que esperavam lucro de R$ 106 milhões.
Em Wall Street, as Bolsas americanas conseguiram encerrar com ganhos. Após operar em queda, o índice Dow Jones, da Bolsa nova-iorquina, subiu só 0,12%. Já a Bolsa eletrônica Nasdaq avançou 1,22%. (Agência Folha)





