Saída de Candiota tem boa repercussão

A demissão do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota ontem, trouxe tranquilidade para o mercado de câmbio. A moeda americana fechou em baixa de 0,32%, a R$ 3,054. Analistas afirmam que embora já existissem rumores sobre a saída de Candiota, a notícia teve uma repercussão positiva. Na última sexta-feira, uma reportagem da revista ''IstoÉ'' informou que Candiota e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estão sendo investigados pelo Ministério Público e pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado por suspeita de sonegação, omissão fiscal e evasão de divisas.

Para o analista do banco Rabobank, Jorge Kattar, o mercado absorveu a mudança com tranquilidade. ''Há uma percepção de que essas denúncias não têm um peso político forte, é um problema de um funcionário do Banco Central, uma instituição que tende a trabalhar cada vez mais de forma autônoma'', afirma.

Segundo Sandra Utsumi, economista-chefe do BES Investimento, independentemente da comprovação das denúncias, a saída de Candiota traz alívio para o mercado e ajuda a reparar a imagem do BC. ''Pelo menos agora não é um membro do BC que está sob o foco das investigações'', diz. Meirelles e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, indicaram Rodrigo Telles de Rocha Azevedo para a direção de Política Monetária. Ele foi analista da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo e desde 1994 ocupava o cargo de diretor-executivo do Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston.




Bovespa sobe e fica perto de zerar perdas

A Bovespa também teve um dia positivo. Subiu pelo segundo dia consecutivo, melhorou o volume de negócios e ficou bem perto de zerar as perdas no acumulado no ano (-0,3%). Carro-chefe do mercado, a ação da Telemar avançou 3,4% com o rumor de que a empresa divulga hoje um forte lucro no balanço do segundo trimestre.

Ontem, pela primeira vez em seis pregões, o principal índice da Bolsa fechou acima do patamar de 22 mil pontos. O Ibovespa subiu 1,98% e somou 22.168 pontos. O volume financeiro atingiu R$ 1,258 bilhão, acima da média do ano (R$ 1,1 bilhão). A dois pregões para o fim de julho, a Bolsa acumula valorização de 4,8% no mês. ''O clima de otimismo voltou. O dólar e o risco brasileiro caíram. Existe ainda espaço para uma melhora dos preços das ações'', afirmou o analista da corretora Spinelli, Sílvio Alface Neto.



Rumores e especulações sobre boas notícias

O risco Brasil, que mede a desconfiança do investidor estrangeiro no País, chegou a ficar abaixo dos 600 pontos com uma queda de mais de 4%. Circularam rumores de que a perspectiva do ''rating'' (nota de crédito) do Brasil pode ser melhorado em breve.

Hoje a Bovespa vai operar de olho no balanço da Telemar, a ser divulgado antes da abertura do pregão. O mercado espera um lucro de R$ 180 milhões no segundo trimestre. O número é uma média das projeções de dez instituições pesquisadas pela consultoria Thomson. ''O mercado especulou que o resultado deve surpreender positivamente'', disse o gestor da ClickInvest, Flávio Barros. (Agência Folha)

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