MERCADO FINANCEIRO
Dólar fecha em alta pelo 5º dia seguido
A perspectiva de aumento dos juros nos EUA trouxe tensão para o mercado de câmbio ontem. As Bolsas americanas operaram em baixa durante toda a sessão e os títulos do Tesouro americano voltaram a subir, o que pressiona os papéis de países emergentes. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,077, em alta de 0,68%. Foi o quinto dia consecutivo de alta. Já a Bovespa caiu 1,27%.
Segundo analistas, os investidores estão atentos aos novos dados de crescimento econômico norte-americano que serão divulgados nesta semana, como o índice de confiança do consumidor e os resultados das vendas de bens duráveis. ''Desde que o dólar bateu os R$ 3 e Greenspan defendeu o crescimento da economia americana no Senado, o mercado vive um forte movimento de correção de taxas'', afirmou Jorge Kattar, analista do banco Rabobank.
Crescimento pode gerar pressão inflacionária
Um aumento no ritmo de crescimento da economia americana poderia gerar pressão inflacionária. Dessa forma, o Fed seria obrigado a aumentar os juros de forma mais drástica para evitar que a moeda perdesse o poder de compra. Analistas temem que, se esse quadro se confirmar, o fluxo de recursos para países emergentes diminua, pois os títulos do Tesouro americano pagariam prêmios mais atraentes ao investidor.
Ontem, os títulos do Tesouro registraram altas expressivas. Com isso, o risco Brasil voltou a subir. No fim da tarde, o indicador da confiança na economia brasileira avançava 1,96%, para 624 pontos. Os principais títulos da dívida externa, os C-Bonds, recuavam 1%, para 92,5% do seu valor de face.
Bovespa segue queda de Bolsas americanas
O fraco desempenho das Bolsas americanas ontem levou a Bovespa a registrar a quarta queda consecutiva. O Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 1,27%, aos 21.317 pontos, com volume negociado de R$ 934,2 milhões. No mês, o Ibovespa avança 0,7%, mas no ano, as perdas chegam a 4,1%.
''As Bolsas estão em desaceleração, com prêmios pequenos e perspectivas de mudanças pela frente, como um possível aumento mais agressivo dos juros. O investimento em ações está perdendo parte da sua atratividade nos EUA'', disse Gustavo Alcântara, do banco Prosper.
As ações do setor de papel e celulose lideraram os ganhos na Bovespa ontem. Com perspectivas positivas e dólar em alta, a Aracruz avançou 2,1%, para R$ 10,37 e a VCP subiu 1,8%, para R$ 215,00. Os papéis da Klabin avançaram 0,47%, para R$ 4,25. A empresa lucrou R$ 111 milhões no segundo trimestre deste ano, acumulando ganhos de R$ 231 milhões no primeiro semestre. O resultado ficou dentro do esperado pelos analistas ouvidos pela consultoria Thomson. Entre janeiro e junho, as exportações da Klabin cresceram 36%, em volume, na comparação com igual período do ano passado. Foram vendidas para o exterior 295 mil toneladas no primeiro semestre. (Agência Folha)





