Cautela aumenta após discurso de Greenspan

Os efeitos do discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Alan Greenspan, ao Comitê Bancário do Senado aumentaram ontem a cautela dos investidores no mercado de câmbio. O dólar encerrou a sessão cotado a R$ 3,028, com alta de 0,73%. As taxas de juros dos títulos do Tesouro americano aumentaram e o risco-país voltou a superar os 600 pontos. No fim da tarde, os principais títulos da dívida, os C-Bonds, recuavam 0,86%, para 93,563% do seu valor de face. O risco Brasil avançava 3,39%, para 609 pontos.

O discurso em defesa do crescimento econômico americano aumentou o temor dos investidores de uma saída de recursos dos países emergentes. Para o economista-chefe da consultoria Global Station, Marcelo de Ávila, Greenspan sinalizou que o País deve crescer fortemente neste ano. Para isso, a recuperação nos próximos meses deveria ser ainda maior. ''Se a velocidade de expansão da economia aumentar, os EUA podem voltar a ter pressão inflacionária e, neste caso, o Fed deixou claro que responderá com um aumento dos juros'', diz.



Dólar deve se manter em queda

Segundo o diretor da corretora Novação, Mario Battistel, ao minimizar a desaceleração econômica de junho com a queda no índice de preços no atacado, Greenspan deixou claro que a meta para este ano é de crescimento. Para Battistel, o dólar deve continuar em queda e deve ficar ainda mais próximo dos R$ 3. ''O Banco Central está para soltar uma legislação que autoriza pagamentos antecipados de empréstimos para importadores. Quando isso for regulamentado, o fluxo negativo vai aumentar bastante'', afirma o diretor.

Rumores de um resultado ainda mais negativo do que o esperado no fluxo de câmbio também contribuíram para aumentar a tensão no mercado. Segundo o vice-presidente de tesouraria do banco alemão WestLB, Flávio Farah, houve quem falasse num resultado negativo de US$ 1 bilhão. Segundo o Banco Central, o fluxo negativo nos 12 primeiros dias úteis de julho foi de US$ 162 milhões.



Boato sobre juros derruba Bovespa

Um boato sobre o aumento da Selic fez a Bovespa registrar ontem a maior queda desde o dia 17 de maio. O fraco desempenho do mercado acionário norte-americano e um movimento de correção dos preços também contribuíram para aumentar o pessimismo entre os investidores. O Ibovespa encerrou a sessão em baixa de 2,46%, aos 21.810 pontos, com volume negociado de R$ 1,195 bilhão.

Analistas consideraram improvável a confirmação do boato sobre o aumento da Selic. O último corte dos juros realizado pelo Banco Central foi em abril deste ano, quando o BC reduziu a taxa de 16,25% para os atuais 16% ao ano. Para o analista de renda variável da ClickInvest Gestão de Ativos Flávio Barros, o mercado viveu ontem um dia de realização com a piora do cenário. ''Com boatos, dólar e risco em alta, a Bolsa não teria fôlego para continuar subindo'', diz. Segundo Barros, os rumores sobre um aumento dos juros não passam de especulação. ''O mercado aposta numa manutenção, isso é puro boato'', afirma.


Embratel e Embraer têm dia de alta

Apenas duas ações encerraram a sessão de ontem em alta - Embratel ON, que subiu 0,75, para R$ 14,01, e Embraer ON, que avançou 0,3%, para R$ 16,00. Para o analista do banco Prosper, Gustavo Alcântara, a valorização dos papéis da Embratel é resultado da proximidade da assinatura do contrato com a Telmex, prevista para amanhã. ''Isso ajuda as ordinárias a reduzirem a diferença de preço em relação às preferenciais'', comenta. A Embratel divulgou ontem seus resultados do segundo trimestre. Para o analista, a alta do papel refletiu também a penalização excessiva dos investidores após o anúncio realizado na semana passada de expectativas de lucro menores pela empresa. (Agência Folha)

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