MERCADO FINANCEIRO
Greenspan fez dólar subir
O discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Alan Greenspan, ao Comitê Bancário do Senado aumentou a cautela entre os investidores no mercado de câmbio ontem. O dólar encerrou cotado a R$ 3,006, com alta de 0,36%. Greenspan falou do crescimento consistente da economia americana e destacou a importância dos indicadores de preços e do mercado de trabalho sobre as futuras decisões da instituição.
''Não apenas a atividade econômica avançou, mas também a expansão ganhou sustentação e tem produzido ganhos notáveis no mercado de trabalho'', afirmou. Apesar de defender um aumento gradual dos juros, Greenspan destacou que o Fed reagirá de acordo com as pressões inflacionárias.
Greenspan minimizou os efeitos da desaceleração econômica em junho. Para ele, esta é uma tendência de curto prazo. Segundo ele, a queda no índice de preços do atacado poderia ser atribuída aos altos preços.
Para o analista de câmbio do banco Rendimento Hélio Ozaki, o mercado deve acompanhar de perto o resultado do indicador do nível de emprego no dia 6 de agosto. A próxima reunião do Fed está marcada para o dia 10. O presidente do Fed faz um novo pronunciamento hoje.
Alta foi ajuste técnico,
Alguns analistas classificaram a alta de ontem como um ajuste técnico após quatro quedas consecutivas do dólar. Para o analista de câmbio da corretora Souza Barros, Carlos Abdalla, a abertura do dólar hoje deverá refletir a percepção do mercado. Segundo ele, toda vez que o dólar recua para um nível considerado como ponto de compra, algumas tesourarias começam a realizar arbitragens com os títulos da dívida externa. ''Elas vendem os títulos lá fora, o que tende a aumentar o risco Brasil. Quando o risco sobe, o dólar volta a subir aqui'', diz.
No fim da tarde, o risco Brasil avançava 1,53% para 596 pontos. Os principais títulos da dívida externa, os C-Bonds, recuavam 0,65%, para 94,375% do seu valor de face. O Global 40 cedia 1,66%, para 97,750% do seu valor de face.
Bovespa seguiu Wall Street
A perspectiva de crescimento da economia norte-americana e de aumento dos juros em ritmo gradual animou os investidores em Wall Street. A recuperação das Bolsas americanas deu novo fôlego ao mercado local. A Bovespa fechou em alta de 1,17%, aos 22.361 pontos, com giro de R$ 972,210 milhões.
Na semana passada, a Bovespa acumula alta de 7,4% apesar da apatia do mercado de ações em Wall Street. As Bolsas americanas operaram em compasso de espera com a divulgação de importantes resultados corporativos. Nesse período, analistas afirmavam que a Bovespa só conseguiria consolidar a tendência de alta, com a recuperação do mercado norte-americano.
Temporada de balanços
Para o diretor da corretora Americainvest, Kléber Hollinger, a Bolsa subiu a reboque do mercado americano. ''Lá fora, as Bolsas estão em plena temporada de balanços. Amanhã (hoje) a atenção dos investidores deve se concentrar na divulgação dos resultados da GM e da Kodak'', diz.
O setor de energia elétrica continuou em destaque ontem com a perspectiva de publicação dos decretos que regulamentam o novo modelo do setor. O IEE, índice que reúne os principais papéis de energia, fechou em alta de 1,9%. As ações ON da Eletrobrás subiram 7,3%, para R$ 39,73. (Agência Folha)





