Queda do varejo nos EUA derrubam dólar

A queda nas vendas no varejo nos EUA e o avanço da produção industrial brasileira derrubaram as cotações do dólar ontem. Na véspera do vencimento de uma dívida cambial de US$ 989 milhões, nem mesmo a pressão das tesourarias dos bancos foi capaz de elevar as cotações. A moeda norte-americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,026, com queda de 0,46%. Normalmente, o dólar registra alta na véspera dos vencimentos de dívida, pois os credores costumam adotar posição compradora a fim de elevar a Ptax (média oficial do dólar) utilizada na remuneração dos títulos.

Depois da queda do déficit comercial norte-americano anunciada terça-feira, a redução das vendas no varejo ontem diminuiu a expectativa de um aumento no ritmo de recuperação da economia americana. Em junho, as vendas caíram 1,1% e somaram US$ 331,9 bilhões, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. O déficit comercial americano registrou queda pela primeira vez após cinco meses. O saldo negativo em maio ficou em US$ 46 bilhões, ante uma expectativa de US$ 48 bilhões. Em abril, o déficit chegou a US$ 48,3 bilhões.


Bovespa encerra dia praticamente estável

A Bovespa encerrou os negócios ontem praticamente estável, depois de ultrapassar a barreira dos 22 mil pontos na máxima do dia. Numa sessão de forte volatilidade, o Ibovespa fechou com ligeira queda de 0,02%, aos 21.672 pontos, com volume negociado de R$ 1,526 bilhão, o maior desde 19 de maio. O destaque positivo ficou por conta das ações da Tele Leste Celular. Rumores de que a Vivo estaria interessada em recomprar os papéis elevaram as cotações da Tele Leste Celular. Os papéis preferenciais da empresa fecharam em alta de 8,1%. Na máxima do dia, eles chegaram a subir mais de 13%.
Segundo analistas, a Tele Leste Celular não seria a única a fechar capital. Tele Sudeste e CRT também poderiam ser recompradas. A assessoria de imprensa da Vivo informou que a empresa não comenta rumores.




Crescimento econômico dá fôlego a rumores

O crescimento da produção industrial nas 14 áreas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o recorde na criação de empregos na indústria paulista levaram a Bovespa a operar em alta durante a maior parte do pregão. O avanço do preço do petróleo freou o otimismo dos investidores. O barril fechou em alta de 3,9%, a US$ 40,97 em Nova York após a queda nas reservas de petróleo nos estoques norte-americanos. Este foi o fechamento mais alto desde o dia 1º de junho. ''Apesar dos indicadores positivos, o mercado não teve fôlego para sustentar a terceira alta seguida, com o avanço do petróleo e a queda das Bolsas americanas'', afirma Harckbart.

Desde ontem circulam no mercado boatos de que a agência de classificação de riscos Standard & Poor's estaria prestes a elevar a avaliação do Brasil. A agência desmentiu a história. Apesar disso, segundo analistas, o boato ganhou fôlego com a aumento da produção industrial - divulgada hoje pelo IBGE e com a criação de novos postos de trabalho. ''Até os mais pessimistas apostam num crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 4%, a balança comercial bate um recorde atrás do outro, tudo confirma a hipótese desse boato'', afirma o gestor de renda fixa do banco Prosper, Carlos Cintra.

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