Recuperação de teles faz Bovespa disparar 3,09%

A expectativa pela definição de como será aplicado o reajuste ao consumidor das tarifas de telefonia fixa garantiu ontem a recuperação dos papéis do setor. Em apenas uma sessão, a Bovespa recuperou as perdas acumuladas na última semana. As teles são responsáveis pela maior parte da composição da carteira teórica do Ibovespa. O Ibovespa encerrou os negócios em alta de 3,09%, aos 21.532 pontos, com volume negociado de R$ 1,264 bilhão. Nos últimos quatro pregões, a bolsa acumulou queda de 3,1%.

Na tarde de ontem, o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, se reuniu com representantes das principais operadoras do setor de telefonia fixa. A disposição para negociar o reajuste das tarifas dividido em duas parcelas e a confirmação de que o governo está disposto a seguir o que estava definido em contrato ajudaram a impulsionar a alta das ações do setor.

Na semana passada, as teles passaram por um forte movimento de realização. O destaque negativo ficou por conta da Telemar, que só conseguiu derrubar na quarta-feira uma liminar que proibia o reajuste de tarifas no Rio de Janeiro. Ontem, as ações da empresa, as mais negociadas da Bolsa, avançaram 4,39%, para R$ 40,35. Os papéis ON da Brasil Telecom subiram 6,3% e fecharam a R$ 20,00.



Ações das empresas de energia também avançam

As empresas de energia elétrica também deram sinais de recuperação no pregão de ontem. O IEE, índice que reúne os papéis das principais companhias do setor, avançou 3,93%. Para o analista de renda variável da Mellon Global Investments, Eduardo Rezende, a queda do dólar e o reajuste das tarifas justificam a valorização dos papéis. ''Energia elétrica é o setor que carrega mais dívidas em dólar. A partir do momento que se verifica apreciação do real e reajuste de tarifas, a tendência passa a ser de recuperação'', diz.



Dólar fecha em baixa de 0,19%

O superávit da balança comercial, a divulgação do índice oficial de inflação dentro das expectativas e o desempenho do mercado acionário aumentaram o otimismo entre os investidores no mercado de câmbio. A moeda norte-americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,035, em baixa de 0,19%. Analistas afirmam que a queda poderia ter sido ainda mais acentuada, caso não estivesse previsto para esta semana o vencimento de uma dívida cambial de US$ 989 milhões.

No cenário externo, a queda no preço do petróleo e a compra do banco Guta pelo Vneshtorgbank ajudaram na recuperação dos títulos de países emergentes. Na semana passada, o risco Brasil registrou alta expressiva com a escalada do preço do petróleo, que voltou a superar a barreira dos US$ 40 e com a crise do sistema bancário russo. O banco Guta é um dos 20 maiores bancos privados russos. Na semana passada, ele foi obrigado a fechar as portas devido a problemas de liquidez. Com a aquisição pelo Vneshtorgbank, analistas estimam que a crise seja solucionada mais rapidamente.

Ontem, em Nova York, o barril de petróleo para agosto fechou em baixa de 1,4%, para US$ 39,38. O barril tipo Brent recuou 1,2%, negociado a US$ 36,60 em Londres. O noticiário positivo levou o risco Brasil a recuar 1,23%, para 623 pontos no fim da tarde. O principal título da dívida externa, o C-Bond, subia 1,35%, para 93,188% do seu valor de face, no mesmo horário. (Agência Folha)

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