Dólar recua 0,67% após comunicado otimista do Fed

O mercado de câmbio reagiu com otimismo à decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de elevar os juros em 0,25 ponto percentual. Os comentários sobre a perspectiva de um aumento gradual dos juros nas próximas reuniões levaram a moeda para o menor patamar desde 11 de maio.

Ontem, a moeda americana encerrou os negócios em baixa de 0,67%, cotada a R$ 3,087. Durante todo o mês, a moeda se manteve cotada entre R$ 3,10 e R$ 3,15. Segundo analistas, a perspectiva no curto prazo é de ''alívio'' no mercado de câmbio, com cotações entre R$ 3,05 e R$ 3,10.

Para o analista de câmbio da corretora Liquidez, Mario Paiva, o Fed deve realizar um novo aumento de 0,25 ponto percentual na sua próxima reunião, em agosto. ''O comentário indica que os aumentos devem ser feitos de forma cautelosa para não desequilibrar a economia mundial'', diz.

Indicadores econômicos como produtividade, criação de vagas, número de pedidos de auxílio desemprego, entre outros, prometem fornecer as pistas sobre o ritmo de elevação dos juros nas próximas reuniões.

Segundo Jorge Kattar, analista do Banco Rabobank, os comentários sobre o aumento da inflação devido a fatores transitórios contribuíram para acalmar o mercado. ''Enquanto não saírem novos indicadores, o comunicado indica uma elevação no ritmo esperado pelo mercado'', afirma.



Bolsa teve o pior semestre desde eleição de Lula

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem o seu pior semestre desde junho de 2002, ano da eleição do presidente Lula, e acumulou perdas de 4,8%. Mas, no dia, a Bolsa subiu 1,67% e atingiu o maior patamar em dois meses, favorecida pelo anúncio da subida do juro nos EUA, de 1% para 1,25%. ''O mercado dos países emergentes respirou aliviado. A decisão do banco central americano veio dentro das expectativas. Agora, vamos voltar o foco para questões políticas internas'', disse o diretor da corretora Americainvest, Luiz Kleber Hollinger.

Os investidores temiam uma alta brusca do juro, de 0,50 ponto percentual. Se isso ocorresse, a reação dos bancos seria acelerar as vendas de ativos de risco, como os papéis de emergentes, e direcionar recursos para os títulos do Tesouro americano.

Após a decisão do Fed, no meio da tarde, a Bovespa acelerou o ritmo de valorização e superou a barreira dos 21 mil pontos, encerrando na marca dos 21.148 pontos, maior patamar desde 27 de abril. O giro melhorou e somou R$ 1,3 bilhão.




Sensível às preocupações internas e externas

Nos últimos meses, o mercado brasileiro de ações foi sacudido por preocupações internas e externas. A baixa eclodiu em fevereiro com a crise política do governo Lula com o caso Waldomiro Diniz, ganhou força nos meses seguintes com o despertar dos investidores para a possibilidade de uma alta do juro americano na virada do semestre, o que realmente se confirmou. A interrupção do processo de cortes de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e as derrotas do governo em votações no Congresso, além do rebaixamento dos títulos brasileiros pelos bancos estrangeiros, também prejudicaram o investimento em ações.

A perda de 4,8% do Ibovespa no primeiro semestre deste ano é bem inferior às perdas acumuladas no primeiro semestre de 2002, que atingiram 17,96%, segundo a consultoria Economática. (Agência Folha)

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