MERCADO FINANCEIRO
Aprovação do mínimo faz dólar recuar
O mercado financeiro teve um dia de alívio ontem. Primeiro com a aprovação do mínimo de R$ 260 na Câmara. Depois com a rolagem de 27% de uma dívida cambial do Tesouro de aproximadamente US$ 2,5 bilhões, com vencimento no próximo dia 1º. O dólar recuou 0,41% e fechou cotado a R$ 3,121. É o menor nível desde o último dia 8, quando a moeda fechou a R$ 3,111. No fim da tarde, o risco Brasil recuava 3,05%, para 635 pontos.
Desde que a proposta do governo havia sido rejeitada no Senado na semana passada, o mercado de câmbio vinha atuando em compasso de espera. Ontem, o governo conseguiu derrotar a proposta da oposição de um mínimo de R$ 275. Também animou os investidores a venda de US$ 674 milhões de títulos cambiais feita pelo Banco Central. Foi a segunda rolagem em junho após sete meses de resgate integral dos títulos. No último dia 9, o BC renovou US$ 326,6 milhões de uma dívida cambial de aproximadamente US$ 983 milhões que venceu no dia 17.
Ações da Petrobras são destaque na alta da Bolsa
Após quatro pregões de queda, a Bovespa subiu mais de 3% ontem, com destaque para as compras de ações da Petrobras por corretoras estrangeiras. A alta das Bolsas nos EUA e a aprovação do salário mínimo de R$ 260 na Câmara deram algum ânimo aos negócios. O volume financeiro atingiu R$ 1,168 bilhão, dentro da média diária do ano. Operações de financiamento de carteiras por tesourarias de bancos e fundos também puxaram a forte alta dos preços.
O Ibovespa, que reúne as 54 ações mais negociadas da Bolsa, encerrou com alta de 3,15%, aos 20.836 pontos. A ação PN da Petrobras liderou as transações, respondendo por 23,2% do volume total do pregão. O papel subiu 3,89%, a R$ 77,70. Já o papel PN da Telemar avançou 3,09%, a R$ 37,01, com o segundo maior giro.
Clima de cautela até anúncio do Fed
Apesar da alta expressiva do Ibovespa, operadores evitaram dizer, com segurança, que a Bolsa engatou um ciclo positivo. O clima de cautela deve persistir até o anúncio da decisão do Fed (Federal Reserve, o BC americano) sobre os juros na próxima quarta-feira. Espera-se um aumento de 0,25 ponto percentual, o que elevaria a taxa americana para 1,25%.
A saída de capital estrangeiro é apontada como uma ameaça no horizonte do mercado paulista de ações. Nos 20 primeiros dias, os estrangeiros retiraram quase R$ 500 milhões da Bovespa. Mas, ontem, as corretoras de bancos americanos, como JP Morgan e Morgan Stanley, fizeram compras significativas de ações da Petrobras e operações diretas (compra e venda de papéis pela mesma instituição para clientes diferentes).
Declaração de 'chefão' da CVM repercute
Causou burburinho nas mesas de operações das corretoras no Rio e São Paulo uma declaração do presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade. O ''xerife'' do mercado se manifestou contra a compra de ações por meio do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), contrariando uma das principais bandeiras da Bovespa e suas corretoras.
Amanhã, a Bovespa abrirá com uma nova empresa listada. A Gol fará o segundo lançamento de ações do ano, depois da Natura Cosméticos em maio. A estréia da companhia aérea ocorrerá simultaneamente em São Paulo e na Bolsa de Nova York. Na sexta-feira, é a vez do início das negociações da América Latina Logística (ALL) na Bovespa. (Agência Folha)





