Mercado minimiza derrota do governo

O mercado de câmbio contrariou as projeções de analistas e assimilou a derrota do governo no Senado sobre a questão do salário mínimo. A moeda americana encerrou ontem em leve alta de 0,35%, cotada a R$ 3,14. Na semana, o dólar cedeu 0,95%. No acumulado do mês, o recuo chega a 1,57%.

Com a aprovação da proposta do PFL do mínimo de R$ 275 no Senado, a votação volta para a Câmara dos Deputados. Se a Câmara não repetir o placar favorável ao governo, na próxima terça-feira, o veto a um salário maior caberá ao presidente. Apesar das análises negativas sobre a articulação política do governo, o mercado de câmbio registrou pouca oscilação. Na máxima, a moeda atingiu os R$ 3,143, com alta de 0,44%.



Bolsa acumula ganhos de 2,5% na semana

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem a quarta semana consecutiva de ganhos, firmando um movimento de recuperação dos preços após as turbulências em maio e abril, quando a previsão de alta dos juros nos EUA, a subida do petróleo e derrotas políticas do governo Lula derrubaram as ações.

Ontem, o principal índice da Bolsa paulista oscilou bastante (entre uma queda de 0,6% e uma alta de 1,2%) e fechou estável, aos 20.333 pontos (-0,01%). O volume de negócios somou apenas R$ 650,841 milhões, bem abaixo da média diária do ano (R$ 1,1 bilhão). Na semana, o Ibovespa, que reúne as 54 ações mais negociadas do pregão, acumulou uma valorização modesta de 2,5%, mas foi suficiente para atenuar as perdas acumuladas no ano para um dígito (8,5%).

Nesta semana, os sinais de que o juro nos EUA não deverão subir de forma agressiva no próximo dia 30 serviram para acalmar os mercados. Em Wall Street, a sexta-feira foi de pequenos ganhos. O Dow Jones valorizou 0,37%, e a Nasdaq subiu 0,15%.



Saída de investidores estrangeiros preocupa

Mas há um risco na recuperação da Bovespa. Além das preocupações com a agenda política do governo Lula no Congresso e com os rumos da inflação, começou um movimento - ainda tímido - de retirada de recursos de investidores estrangeiros da Bolsa paulista. Nos primeiros 16 dias deste mês, eles sacaram R$ 422 milhões. Ou seja, as vendas (R$ 3,5 bilhões) superaram as compras (R$ 3,1 bilhões) de ações no período.

No acumulado do ano, o saldo continua positivo, mas caiu para R$ 2,3 bilhões, e o ritmo de saída de recursos acelerou nesta semana. Nos dez primeiros dias do mês, a retirada era de só R$ 56 milhões. (Agência Folha)

mockup