Sem ansiedade à espera do Copom

O mercado aguardou ontem a decisão da reunião do Copom sem nenhuma ansiedade. Era consensual a aposta de que o comitê manteria inalterada a taxa Selic em 16%, sem viés. Se houvesse alguma surpresa, seria um corte pequeno, de 0,25 ponto. E, desta vez, seria realmente uma surpresa. Nem a curva de juros nem os economistas consideravam essa hipótese.

A aposta na manutenção do juro foi formada já na divulgação da ata do Copom do mês passado, que levantou os riscos de a escalada do dólar, as incertezas do mercado internacional e a alta do preço petróleo afetarem a inflação. A maioria não vislumbra um corte de juro nem mesmo para julho porque o cenário mudou pouco desde então: o dólar mantém-se acima de R$ 3,10 e parece acomodar-se nesse nível, o petróleo está abaixo de US$ 40, mas já justificou um reajuste do preço dos combustíveis; o Fed nem sequer iniciou sua escalada de ajuste da taxa de juro e, a cada divulgação de indicador nos EUA, haverá volatilidade; e a inflação já começou a refletir pressão sobre os preços no atacado.


Bovespa tem recorde de negócios

A melhora no cenário internacional foi tudo o que os compradores no Ibovespa Futuro queriam. Em apenas dois dias, a Bovespa registrou alta de quase 5%. Ontem, dia do vencimento do índice na BM&F, a Bolsa paulista subiu 2,06%, registrando movimento financeiro de R$ 2,301 bilhões e batendo o recorde no volume de negócios. Entre as 54 ações que compõem o Ibovespa, apenas seis fecharam em baixa. E o volume total de negócios atingiu 92.146 transações, superando com folga a marca de 79.494 negócios apurada em 15 de outubro.

A bolsa começou a mostrar recuperação na manhã de ontem, com a divulgação do CPI de maio nos EUA e também com as declarações de Alan Greenspan. Tanto o CPI quanto Greenspan levaram o mercado a entender que a alta de juros nos EUA no fim deste mês não deverá ultrapassar o já esperado 0,25 ponto porcentual. Foi um alívio.

O aumento de 9,89% das vendas no varejo em abril, ante abril do ano passado, foi considerado mais um indicador para confirmar as previsões de crescimento da economia este ano. Além disso, o IBGE, que divulgou os dados sobre o varejo na manhã de ontem, também prevê que a recuperação do setor vai prosseguir nos próximos meses.




Dólar fecha em alta de 0,44%

O dólar encerrou os negócios ontem cotado a R$ 3,139, com alta de 0,44% na véspera do vencimento de uma dívida cambial de US$ 983 milhões e pouco antes da decisão do Copom sobre os juros em junho. Analistas atribuem o aumento nas cotações à tentativa dos credores de aumentar os lucros. Na semana passada, o Banco Central rolou apenas US$ 326,6 milhões. A média oficial do dólar de ontem será utilizada na remuneração dos títulos que vencem hoje.

No mercado da dívida externa, os títulos brasileiros subiram mesmo com a alta do rendimento dos Treasuries norte-americanos. Entre os papéis brasileiros mais negociados, o C-Bond fechou em alta de 0,49%, cotado a 90,6250 centavos de dólar. O global 40 subiu 1,54%, para 92,40 centavos de dólar. O risco Brasil fechou em queda de 6 pontos em 674 pontos-base. (Das Agências)

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