Mercado acentua cautela com gasolina e CPI

Enfim, o temido reajuste dos preços dos combustíveis aconteceu. A Petrobras anunciou ontem uma alta de 10,8% do preço da gasolina nas refinarias e de 10,6% no preço do diesel. A confirmação ocorreu no final da tarde, mas o mercado já aguardava pelo anúncio e, na verdade, considerava até a hipótese de um reajuste mais intenso.

De todo modo, os analistas já começaram a fazer seus cálculos e consideraram que o reajuste não terá um forte impacto sobre os índices de preço. Antes mesmo da divulgação do reajuste dos combustíveis, o mercado já se ressentia com outros números sobre inflação. Ontem saiu a primeira prévia do IPC da Fipe de junho, de 0,77%, ante 0,57% em maio. As previsões dos analistas variavam de 0,60% a 0,77%. O resultado só reforça que não há nenhuma chance de o Copom reduzir a Selic na reunião desta semana, dizem operadores.



Dólar sobe de olho na inflação dos EUA

O dólar comercial fechou ontem em alta pelo terceiro dia útil consecutivo e na cotação máxima, de R$ 3,17% (+0,92%). Tesourarias de bancos e empresas reforçaram posições defensivas diante da inflação ascendente nos Estados Unidos e no Brasil, o que aumenta a aposta num aperto mais forte do juro norte-americano a partir do fim de junho e na manutenção da taxa Selic pelo Copom nesta quarta-feira. Se o índice de inflação ao consumidor (CPI) norte-americano vier acima do esperado, poderá reforçar essa avaliação.

Entre os títulos da dívida brasileira mais negociados, o C-Bond recuou 0,98%, para 88,50 centavos de dólar. O Global 40 caiu 1,94%, para 88,50 centavos de dólar. Às 17h52, o risco Brasil subia 21 pontos, para 704 pontos-base.


Bolsa reage a notícias ruins

Num dia de noticiário negativo, não sobrou outra alternativa à Bovespa a não ser fechar em baixa. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,75%, refletindo as baixas em Wall Street, a expectativa de juro mais alto e também a divulgação do CPI nos EUA, a preocupação quanto à votação da MP do salário mínimo no Senado, a reunião do Copom, a revisão para cima da inflação brasileira depois do anúncio da alta dos preços dos combustíveis e ainda alguma especulação relativa ao vencimento do Ibovespa Futuro previsto para quarta-feira na BM&F.

O cenário externo voltou a falar alto na Bolsa paulista. Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,73% e o Nasdaq fechou em baixa de 1,49%. (Agência Estado)

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