Dólar em alta reflete clima de insegurança

A semana começou tensa no mercado de câmbio com uma alta de 1,06% do dólar, que encerrou o dia de ontem vendido a R$ 3,125, refletindo o clima de insegurança mundial, após o assassinato de um líder iraquiano, explosões de bombas em bancos na Turquia e ameaças de sabotagem em refinarias no Oriente Médio. Há o medo de que um novo choque do petróleo provoque inflação e prejudique o crescimento da economia global. Ontem o barril bateu um novo recorde (US$ 41,55). Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a ser negociada a R$ 3,136 (+1,42%), mas reduziu o ritmo com o anúncio de captações externas pelo Unibanco e Banco do Brasil.

Credores de uma dívida cambial de US$ 2,065 bilhões também ajudaram a pressionar as cotações do dólar visando receber mais reais pelos títulos a serem resgatados amanhã. É a Ptax (média oficial do dólar) da véspera (hoje) que será usada pelo governo para definir a remuneração dos credores.



Investidor estrangeiro continua desconfiado

Ontem o risco Brasil, que mede a desconfiança do investidor estrangeiro no país, chegou a bater a máxima de 736 pontos (+4,54%). Mesmo com custos maiores para a tomada de empréstimos, o Unibanco concluiu uma captação de US$ 200 milhões, com emissão de notas de sete anos. Já o BB divulgou que pretende captar esse ano no exterior de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão.

As turbulências externas ocorrem na semana em que o mercado aguarda a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os juros na próxima quarta. A maioria espera um novo corte simbólico de 0,25 ponto percentual. Mas ontem ganhou força a aposta na manutenção da taxa em 16% ao ano.



Bovespa começa semana em queda e com pior giro do mês

A Bovespa começou a segunda quinzena do mês em clima de pessimismo, caiu mais de 2% e teve o pregão mais fraco do mês. O vencimento de contratos de opções foi o pior desde a crise cambial de janeiro de 1999. Após esboçar uma recuperação no final da semana passada com duas altas consecutivas, o principal índice da Bolsa paulista fechou em queda de 2,63%, aos 18.122 pontos, depois de ter afundado 3,42%, na mínima dos 17.973 pontos.

O pregão girou apenas R$ 901,142 milhões, o menor volume do mês. Desse total, o exercício de opções sobre as ações respondeu por R$ 39,520 milhões, o menor desde 18 de janeiro de 99 (R$ 610 mil) e o terceiro menor do Plano Real, em 1994.

As turbulências externas abateram a Bolsa desde a abertura do pregão, prejudicada pelo pânico na Bolsa de Valores da Índia, a mais antiga da Ásia, que desabou 11,14%, a maior perda da sua história (129 anos). Os investidores estrangeiros temem uma mudança na política econômica da Índia, como a paralisação das privatizações, com o apoio de esquerdistas à primeira-ministra eleita Sonia Gandhi. (Agência Folha)

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