MERCADO FINANCEIRO
Dólar comercial sobe 2,15% e fecha a R$ 3,142
Os mercados locais retomaram ontem forte volatilidade e posições defensivas, contagiados pela piora externa e fatores domésticos. O dólar comercial fechou em alta de 2,15%, a R$ 3,142 - maior nível desde 14 de abril de 2003 (R$ 3,1630). Preocupações com o impacto da queda dos estoques norte-americanos de petróleo cru e gasolina sobre os preços e o ritmo da atividade econômica global e expectativas sobre os índices de inflação norte-americanos que saem hoje (ao produtor) e amanhã (ao consumidor) provocaram nova rodada de realocação de portfólios. Não é descartada também, dependendo da força desses indicadores, eventual antecipação da próxima reunião do Federal Reserve marcada para 29 e 30 de junho.
Internamente, houve reação negativa ainda à decisão da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara de aprovar o projeto que elimina a cobrança da assinatura básica dos serviços de telefonia fixa. A proposta ainda terá de ser votada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, e Constituição e Justiça antes de ser encaminhada ao plenário da Câmara. No entanto, se a mudança for aprovada em plenário, permitirá a mudança dos contratos e poderá afetar o equilíbrio econômico-financeiro das empresas, o que é malvisto pelo mercado.
Dia de alta também para os juros futuros
Entre os títulos da dívida brasileira, o C-Bond recuou até 2,12%, para 86,75 centavos de dólar, no pior momento e fechou em baixa de 0,71%, a 88 centavos de dólar, informou a corretora López Léon. O Global 40 caiu até 3,15% (84,50 cents), mas desacelerou a perda para fechar a 86 centavos de dólar, em baixa de 1,43%. A taxa de risco Brasil, às 18h19, caía 3 pontos para 755 pontos-base - no pior momento subiu até 772 pontos base (alta de 1,85%).
No vaivém que tem caracterizado o mercado, ontem foi o dia da alta. As taxas de juro futuras voltaram a subir com força, acompanhando o dólar comercial. O mercado deu pouca atenção ao IPC da Fipe referente à primeira quadrissemana de maio, de 0,36%, dentro das previsões (entre 0,30% e 0,43%). Por conta da turbulência, o Tesouro Nacional decidiu suspender também o leilão de NTN-Bs, que aconteceria hoje e amanhã. O mercado considerou, mais uma vez, acertada a decisão. Na BM&F, os DIs encerraram o dia com as seguintes taxas: DI de janeiro, 17,10% (ante 16,54% de ontem); DI de julho, 15,70% (15,63%); e DI de abril/2005, 17,65% (17,03%).
Na Bolsa, queda foi puxada por ações de telefônicas
A Bovespa voltou a ter um pregão de extrema volatilidade, com o índice teórico oscilando da mínima de -3,51% à máxima de +1,13%. Fechou em queda de 1,14% e o giro financeiro somou R$ 1,120 bilhão. O ritmo menor de vendas à tarde deveu-se à melhora das Bolsas em Wall Street, onde o índice Dow Jones encerrou o dia com ligeira alta de 0,26% e a Nasdaq caiu 0,30%.
O tom negativo novamente prevaleceu no mercado por causa da alta do petróleo e do déficit comercial americano recorde. Mas o que pesou mesmo foi a aprovação do fim da cobrança da tarifa de assinatura na telefonia fixa. Tanto que a maior queda do Ibovespa foi de Embratel PN, com um tombo de 6,94%, após 2.025 negócios. Brasil Telecom ON caiu 4,52%, sétimo pior desempenho. (Agência Estado)





