Bovespa sobe 5,30%, mas ainda é refém de mercado global

Após desabar 12% nos últimos três pregões, a Bovespa ensaiou ontem uma recuperação com destaque para as ações das empresas elétricas, siderúrgicas e mineradoras, alvos das maiores quedas nas últimas semanas. O principal índice da Bolsa paulista avançou 5,30%, aos 18.536 pontos. Foi a maior alta percentual desde o mês da eleição do presidente Lula em outubro de 2002 e a 11 maior desde o Plano Real, em 1999, segundo a consultoria Economática. O pregão girou R$ 1,280 bilhão.

Apesar da alta de ontem, a Bolsa ainda está ''refém' dos rumos do mercado global, segundo analistas. Ou seja, ainda é cedo para apostar que o pior já passou. Basta sair um novo indicador reforçando a expectativa de alta do juro nos EUA em junho para a onda de vendas de ações recomeçar. Hoje foi só um dia de trégua. Entre os dados internos positivos que ganharam a atenção do mercado ontem foi citado o crescimento da produção industrial brasileira de 11,9% em março, na comparação com igual período do ano passado. Foi a maior alta desde janeiro de 2001.



No câmbio, foi dia de aproveitar as pechinchas

O mercado de câmbio ontem foi de quem quis aproveitar oportunidades: os exportadores, que trocaram dólares próximos de R$ 3,14 e os investidores estrangeiros, que resolveram trazer parte de suas divisas para comprar ações baratas na Bovespa, após as últimas quedas. A moeda americana encerrou com a maior queda do ano, de 2,03%, aos R$ 3,076.

Amanhã sai a inflação ao produtor (PPI, pela sigla em inglês) e, na sexta, ao consumido (CPI). O medo de uma inflação de demanda tem feito agentes do mercado anteciparem a elevação de juros nos EUA. Alguns bancos estimam taxa de 2% ao ano, até dezembro deste ano. Isso já seria um aumento de 100% em relação ao que temos hoje, lembram analistas, justificando a alta tensão do mercado. Até dezembro de 2005, algumas projeções são de juros a 4,5% ao ano.



Risco-país cai e título da dívida se recupera

Por aqui, muitos bancos ainda projetam o dólar a R$ 3,05 no fim do ano e um Relatório do BC divulgado na segunda-feira projetava uma cotação de R$ 2,93 em dezembro. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a projeção do dólar para junho fechou em R$ 3,105.

De acordo com os analistas, da mesma forma que o Brasil é um dos primeiros prejudicados pelo ''efeito manada'' de investidores estrangeiros, é um dos primeiros a se beneficiar quando o mercado se acalma. Em confirmação disso, ontem o risco-país caiu 6,51%, para 746 pontos, e o C-Bond - principal título da dívida brasileira - voltou a 88,25% do valor de face, em recuperação de 2,76%. (Agência Estado)

mockup