Bovespa desaba 5,46% e amarga segunda maior queda do ano

A Bovespa começou a segunda semana do mês com a segunda maior queda do ano. O principal índice da Bolsa desabou 5,46%, aos 17.604 pontos, o menor patamar desde outubro do ano passado. Os investidores estrangeiros aceleraram a retirada dos recursos da Bolsa com a maior aversão ao risco. As ações do setor de energia foram os principais alvos de vendas. A previsão de alta do juro nos EUA no próximo mês motiva o tombo do mercado global de ações. Com o cenário externo conturbado, cresceu o temor de que o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompa a sequência de cortes dos juros na próxima semana.
O IEE, índice que reúne as principais ações do setor de energia na Bovespa, despencou 6,4%. O setor ainda apresentava papéis baratos e era apontado como uma das oportunidades de ganhos pelos analistas. Mas com a maior aversão ao risco, os estrangeiros estão preferindo se desfazer desses papéis. Além disso, as companhias de energia apresentam custos e dívidas indexados ao dólar. A moeda americana chegou ontem a superar o patamar de R$ 3,15. O risco Brasil chegou a ficar acima de 800 pontos, encarecendo planos de captações externas.

O movimento negativo foi generalizado. Na Bolsa argentina, a queda foi de 8,4%, na véspera da divulgação de um plano para tentar conter a crise energética. As ações do setor de siderurgia também caíram. As ações da Usiminas desabaram 12,74%. Já os papéis da Gerdau derreteram 10,9%. A CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) teve queda de 7,7%. Segundo os analistas, as bruscas oscilações do mercado devem continuar até sair a decisão dos EUA de elevar os juros.


Tensão provoca alta recorde do dólar em 2004

A tensão prevaleceu pelo terceiro dia consecutivo também no mercado de câmbio, com a falta de certezas sobre os rumos das economias americana e mundial. Em dia de pouca liquidez, a moeda americana teve valorização de 2,54% e encerrou cotada a R$ 3,14. É o registro mais alto desde o fechamento de 14 de abril do ano passado. Analistas lembram que a volatilidade ontem e nas últimas semanas não foram exclusividade do mercado brasileiro, menos ainda do mercado que negocia moeda estrangeira. Segundo eles, os investidores estão estressados no mundo todo.


Tesouro cancela leilões de títulos públicos

O nervosismo do mercado começa a dificultar a administração da dívida pública pelo governo federal. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos públicos que estavam marcados para hoje. No último dia 29, o Tesouro havia programado ofertar amanhã títulos prefixados de curto prazo (LTN), prefixados de longo prazo (NTN-F) e pós-fixados (LFT). Os leilões acontecem todas as terças-feiras e os técnicos do Tesouro costumam checar nas segundas-feiras a demanda do mercado por papéis e os juros que o governo será obrigado a pagar para vendê-los. Com base nessas informações, o Tesouro define o tipo e montante de títulos que serão ofertados. Na semana passada, o Tesouro já havia cancelado leilões de títulos devido às turbulências no mercado financeiro, que fazem com que bancos e fundos de investimento - os principais compradores dos papéis do governo - peçam juros maiores para rolar a dívida pública. Quando deixa de vender títulos, o governo é obrigado a usar o chamado ''colchão de liquidez'', uma espécie de reserva do Tesouro mantida para honrar vencimentos de dívida em momentos de volatilidade.

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