MERCADO FINANCEIRO
Travessia pode ser turbulenta e longa
Não tem choro nem vela. O mercado se convenceu ontem de que o Federal Reserve vai iniciar o aperto monetário em junho. E pior: serão quatro elevações de taxas este ano, de 0,25 ponto porcentual cada. Se confirmadas estas previsões, o juro dos Fed Funds terá dobrado do atual 1% para 2% em dezembro. E poderá atingir 4% ou 5% ao fim de 2005. Estes números deram as cartas ontem. São previsões tiradas dos contratos futuros de Fed Funds negociados na Bolsa de Chicago. O Ibovespa fechou em queda forte de 2,97%, rompendo o suporte dos 19 mil pontos, para 18.620 pontos, com volume financeiro de R$ 1,113 bilhão.
O novo nível do dólar, acima de R$ 3,00, e a contínua alta do preço do petróleo, cujo contrato para junho subiu para US$ 39,93 em Nova York, trouxeram o temor de pressão nos índices de inflação do Brasil. Se confirmado este cenário, o Copom poderá eventualmente se ver sem espaço para reduzir a Selic nos próximos meses. De acordo com analistas, será um prato cheio para o surgimento de pressões para que o Conselho Monetário Nacional (CMN) mude a meta de inflação para 2005, atualmente fixada em 4,5% ao ano.
O outro lado da moeda é promissor. Se a economia americana crescer num ritmo forte, haverá benefícios globais. A balança comercial poderá ter saldos positivos maiores, o que ajudaria no fechamento das contas externas do País, numa temporada de estrangulamento de liquidez internacional. Mas a travessia até este incerto futuro poderá ser longa e tumultuada, segundo prevêem analistas.
Números americanos deterioram mercado
Ontem, a deterioração do ambiente foi provocada pelo aumento acima do esperado do número de vagas criadas em abril nos Estados Unidos - 28 mil - e a escalada do petróleo, que chegou a US$ 40 o barril. No mercado externo, os preços de petróleo já subiram 20% em 2004 e 50% nos últimos 12 meses.
A preocupação com o impacto dessas variáveis sobre a economia e inflação globais provocaram ordens de stop-loss (sistema utilizado para limitar perdas) nos mercados. O dólar comercial atingiu na máxima R$ 3,09 (+2,97%); e fechou em firme alta de 2,03%, a R$ 3,062 - maior nível desde 4 de agosto de 2003. Apenas nesta primeira semana de maio, o dólar já acumula alta de 4,43% ante o real. No ano, o ganho saltou para 5,48%.
Risco país fechou semana com alta de 37 pontos
Novo ataque contra títulos de países emergentes também derrubou os bônus do Brasil e empurrou o risco País até 773 pontos-base no pior momento. Às 17h50, a taxa de risco País subia 4,99% ( alta de 37 pontos), para 758 pontos-base. O C-Bond - principal título da dívida brasileira - despencou 2,77%, cotado a 87,625 centavos de dólar.





