MERCADO FINANCEIRO
Bingos e cenário externo causam nova turbulência
Turbulências no cenário externo e duas derrotas do governo no Senado atingiram em cheio ontem os ativos brasileiros. O risco-país subiu 7,9%, a Bovespa caiu ao menor nível em quase seis meses e o dólar alcançou os R$ 3,00. As principais Bolsas de Valores se desvalorizaram ao redor do mundo e o risco de países emergentes acompanhou a elevação do brasileiro. Dados da economia americana se somaram à fala do presidente do Fed (banco central dos EUA), Alan Greenspan, e esquentaram a discussão sobre quando e em que intensidade subirão os juros nos EUA.
Além disso, a alta do preço do petróleo e suas consequências para a economia mundial deixaram o mercado ainda mais tenso. Em Nova York, depois de quase atingir US$ 40, o barril caiu 0,51% e fechou o dia cotado a US$ 39,37, mantendo-se no maior patamar desde a Guerra do Golfo. Analistas preocupam-se com a possibilidade de que a alta do petróleo no exterior dê margem a aumentos no preço da gasolina internamente, o que pressionaria os índices de inflação.
Negócios reagiram a suposta desarticulação do governo
O mercado doméstico iniciou os negócios ontem sob a sensação de que o governo demonstrou desarticulação ao permitir que a oposição instalasse uma comissão para discutir o salário mínimo e derrubasse a medida provisória que proibia a atividade de bingos. A Bovespa caiu 4,17%. O risco-país subiu a 722 pontos, patamar mais elevado desde agosto de 2003. O dólar teve alta de 1,49%. A moeda americana bateu a barreira dos R$ 3,00 ao longo do dia e depois recuou para R$ 2,999, seu maior valor em oito meses e meio.
Na Bolsa de Nova York, o Dow Jones caiu 0,68%. A Nasdaq teve baixa de 1%. O mercado americano foi influenciado pela divulgação de dados sobre auxílio-desemprego, que ficaram abaixo do esperado e sinalizaram um aquecimento da economia. Dentre as maiores perdas na Europa, ficaram as Bolsas de Frankfurt, com baixa de 2,8%, e a de Paris, com queda de 1,99%.
Emergentes ainda sentem efeitos das declarações de Greenspan
Três dias depois de prometer uma elevação ''moderada'' dos juros nos EUA, Greenspan sugeriu o contrário ontem ao afirmar que as empresas e os consumidores norte-americanos estão em condições de suportar um aumento das taxas básicas do Fed.
O risco de países emergentes tem subido desde que o mercado passou a ver sinais de que o Fed anteciparia o aumento dos juros. Ontem o risco da Turquia teve alta de 11,9%. O russo subiu 8,5%, e o risco mexicano, 8,3%. Juros maiores nos EUA tornam os títulos americanos - considerados de risco zero - mais atrativos que os papéis dos emergentes. A piora do mercado não afetou as projeções para os juros internos no curto prazo. Mas os contratos de vencimento mais longo subiram ontem na Bolsa de Mercados e Futuro (BM&F). No DI de janeiro, contrato mais negociado e que segue os juros, a taxa foi de 15,62% para 15,76%. Para hoje, o mercado aguarda a divulgação dos dados sobre desemprego nos EUA e, no Brasil, o IPCA de abril. (Agência Folha)





