MERCADO FINANCEIRO
Comunicado do Fed acalma mercado e dólar cai 0,36%
O mercado de câmbio encerrou as negociações de ontem devolvendo parte das altas dos últimos dias, especialmente após o anúncio da manutenção da taxa básica de juros nos EUA pelo Fed em 1% ao ano. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 2,97, em queda de 0,36%, em parte puxado por exportadores pela manhã, aproveitando a alta cotação.
O comunicado divulgado pelo Fed não trouxe novidades, exceto a retirada do termo ''paciência' com relação à redução dos juros, o que foi interpretado por alguns operadores como uma antecipação da alta dos juros. Em contrapartida, as autoridades monetárias disseram acreditar que a acomodação poderá ser removida em ritmo a ser analisado.
Ontem, os contratos de dólar futuro para junho apontaram uma cotação de R$ 3,006. O risco-país manteve a queda de 4,05%, para 662 pontos, o C-Bond - principal título da dívida brasileira - teve valorização de 0,69% para 91,125% do valor de face e o Global 40 também registrou alta: de 0,16%, a 91,75% do valor do título. Com a sinalização do Fed, alguns analistas acreditam que o mercado de títulos de emergentes tende a se acalmar.
Juros futuros reagem com tendência de alta
Logo após a divulgação da decisão do Fed de manter a taxa de juros em 1%, os DIs começaram a cair com força. O DI de janeiro/2005, o mais líquido, recuou de 15,70% para 15,66%. Mas, pouco depois de a divulgação do comunicado do Fed ter sido concluída, a taxa voltou a subir e fechou em 15,73%. O mercado de títulos públicos deve também sofrer influência da volatilidade externa. Mas ontem, cumprindo o que havia prometido na segunda-feira, o Tesouro não aceitou os prêmios mais altos pedidos pelo mercado pelas Letras do Tesouro Nacional (LTNs) que foram a leilão. Foi a primeira vez no ano que o Tesouro não vendeu nenhuma LTN no leilão.
Na BM&F, os DIs encerraram o dia com as seguintes taxas: DI de janeiro, 15,73% (ante 15,76% de ontem); DI de julho, 15,54% (15,56%); e DI de abril, 15,97% (16,03%).
Bovespa sobe mais de 1%, mas acumula perdas de 10% no ano
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu mais de 1% no dia da decisão do comitê do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de manter o juro em 1% ao ano, o menor patamar dos últimos 46 anos. No entanto, a Bolsa ainda acumula perdas de 10% no ano. O pregão girou R$ 1,1 bilhão, um pouco abaixo da média diária do ano (R$ 1,2 bilhão). O principal indicador da Bovespa chegou a recuperar o patamar de 20 mil pontos, mas perdeu fôlego e fechou aos 19.987 pontos, alta de 1,42%.
Os investidores já esperavam a manutenção da taxa americana. As atenções do mercado se concentraram mais para os termos usado pelo comitê do Fed no comunicado de sua decisão. Na avaliação dos operadores, o Fed prepara o mercado para uma alta dos juros em breve, mas esse processo não será precipitado nem brusco como temem alguns analistas. O mercado aguarda agora a nova rodada de indicadores, principalmente de inflação e do mercado de emprego. Na próxima sexta-feira, será divulgada a taxa de desemprego e o número de vagas criadas em abril nos EUA. (Das agências)





