Bovespa cai mais 3% com fuga de estrangeiros

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) desabou quase 3% ontem com as fortes vendas de ações pelos investidores estrangeiros, em mais um dia de pessimismo e rebaixamento do Brasil por banco. Pela primeira vez desde novembro passado, a Bolsa fechou abaixo de 20 mil pontos, aos 19.865 pontos (-2,97%). O banco holandês ABN Amro reduziu a exposição aos títulos da dívida brasileira e de outros emergentes, citando a previsão de alta do juro nos EUA. Já o banco suíço UBS foi o principal destaque nas ordens de venda de ações da Petrobras, que despencaram 5,11%, cotadas a R$ 75, e lideraram o giro do pregão (14,4% do total). O volume financeiro da Bolsa somou R$ 1,457 bilhão, superando a média diária do ano (R$ 1,2 bilhão). No pior momento do dia, a Bolsa despencou 3,89%.



Bancos perderam dinheiro com operações especulativas

Nos últimos dias, alguns bancos perderam muito dinheiro com operações especulativas que visavam lucros de curtíssimo prazo - o chamado ''day-trade' (compra e venda de um ativo no mesmo dia). Ontem, essas instituições financeiras venderam os papéis para cobrir as perdas recentes, segundo os analistas. Lá fora, esperava-se um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre, acima de 5%. Mas o dado divulgado ontem ficou em 4,2%. No entanto, o número abaixo do esperado não enfraqueceu a aposta dominante de que o juro americano vai subir em breve, a fim de esfriar a economia e evitar inflação.



Divulgação de balanços interferem nos papéis

Maior grupo supermercadista do país, o Pão de Açúcar registrou uma redução de 31,3% no lucro, para R$ 40,6 milhões, devido à queda da venda de alimentos e a perda com a rede carioca Sendas. Os papéis da companhia recuaram 7,3%, cotados a R$ 53,10. Já o Banespa, banco controlado pelo espanhol Santander, teve um lucro 60,5% menor, para R$ 327,4 milhões. A queda do juro e da inflação limitou ganhos com títulos públicos. As ações recuaram 1,29%, cotadas a R$ 229. Terceira maior exportadora do país, a Bunge lucrou R$ 61,3 milhões, baixa de 73%, principalmente com a quebra da safra de soja. Mas sua ação preferencial disparou 5,9%, a R$ 5,72, após o anúncio da intenção de fechar capital, feito na noite de quarta-feira. Empresa com maior peso no Ibovespa, a Telemar lucrou R$ 220 milhões no trimestre, após prejuízo de R$ 112 milhões no mesmo período de 2003. O resultado veio em linha com as previsões dos analistas. A principal ação da empresa terminou em queda de 0,68%, a R$ 36,05.



Nervosismo internacional faz dólar manter alta

O nervosimo do mercado internacional fez o dólar romper os R$ 2,97 ontem e voltar a mirar o teto de R$ 3, valor já negociado nas casas de câmbio. Ontem, o dólar paralelo encerrou vendido em R$ 3,02 em São Paulo. O movimento internacional prevaleceu inclusive sobre o noticiário interno, que incluiu o aumento conservador do salário mínimo, considerado positivo pelo mercado. Segundo analistas estrangeiros, o reajuste do salário mínimo abaixo das reivindicações das centrais sindicais foi bem-vindo por não pesar nas contas públicas, mas pode criar problemas de popularidade e governabilidade, dando munição à oposição.

Entre os papéis brasileiros, o C-Bond - principal título da dívida - encerrou o dia de ontem em alta de 0,27%, para 91,25 centavos de dólar. Às 18h11, taxa de risco Brasil caía 9 pontos, para 664 pontos-base. (Das agências)

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