Ordem nos mercados é fuga para qualidade

Os mercados foram sacudidos ontem pelo aumento da aversão ao risco global. Tesourarias de bancos e empresas reforçaram as posições defensivas em dólar, simultaneamente à deterioração do risco Brasil e dos títulos da dívida externa brasileira. As taxas futuras de juros também subiram e a Bolsa paulista despencou 3,95%. Mesmo com forte fluxo positivo, o dólar comercial encerrou em alta de 1,13%, cotado a R$ 2,95 - nível mais alto desde 20 de fevereiro (R$ 2,959).

O comportamento dos ativos financeiros domésticos expressa a persistente vulnerabilidade do País à piora do humor no mercado externo, comentou uma fonte. A proximidade da reunião de maio do Fomc do Federal Reserve, na terça-feira, estimula a especulação em torno do momento da mudança na taxa de juros, observou um operador.

Internamente, persiste a expectativa sobre o reajuste do salário mínimo e as mudanças em estudo no Imposto de Renda da Pessoa Física, que podem ter impacto nas contas do governo.



Portfólios volta a castigar ativos brasileiros

A realocação de portfólios de investidores globais voltou a castigar os ativos brasileiros. Arrastado pela disparada do risco Brasil, o Ibovespa despencou 3,95%, para a mínima pontuação do dia, de 20.474 pontos, com volume financeiro de R$ 1,287 bilhão. Desta vez, Nova York contribuiu para o pessimismo. O índice Dow Jones caiu 1,29% e a Nasdaq recuou 2,12%.

Vários fatos e expectativas explicam este acirramento de aversão ao risco. Aviões norte-americanos voltaram a atacar Faluja, no Iraque. Hoje sai a primeira prévia do PIB trimestral dos Estados Unidos, que deve confirmar forte aceleração econômica. Além disso, na próxima terça-feira o comitê de mercado aberto do Federal Reserve se reúne.


Mercado doméstico embarcou no mau humor

O tão temido dia do ajuste do mercado parece ter chegado. Em reação à forte queda dos papéis de dívida de países emergentes, o mercado doméstico embarcou no mau humor e acrescentou prêmios em todos os segmentos. O movimento foi mais intenso no câmbio (o dólar fechou em alta de 1,13%, cotado a R$ 2,95) e na bolsa (queda de 3,95%). Mas os juros futuros não ficaram de fora e subiram, em toda a curva.
Ontem, o mercado já amanheceu registrando piora significativa, em razão de um movimento de stop loss de fundos internacionais em relação aos papéis de dívida de emergentes. Esse movimento foi atribuído por analistas à proximidade da reunião do Fomc, mas também à divulgação hoje do PIB dos EUA. (Agência Estado)

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