Risco geopolítico volta a dar as cartas

As explosões de carros-bomba em Damasco (Síria) e os ataques dos Estados Unidos a Faluja (Iraque) afetaram todos os segmentos do mercado financeiro ontem. Os títulos da dívida externa de emergentes sofreram forte queda, com o consequente salto do risco País. O Ibovespa vinha em alta superior a 1% antes destes eventos, mas imediatamente cortou os ganhos, para fechar com queda de 0,03%. O giro financeiro somou R$ 827 milhões.

O risco geopolítico voltou a dar as caras e as cartas no mercado financeiro. E o caminho é sempre o mesmo: fuga dos títulos da dívida de emergentes, como da Turquia, Rússia e Brasil, e migração para investimentos mais seguros - leia-se títulos do Tesouro norte-americano.

Os acontecimentos em Damasco e Faluja voltaram a pôr em xeque o humor do mercado. E ratificaram a percepção de que persiste a vulnerabilidade externa do Brasil. Tanto que, no final da tarde, ninguém mais comentava os bons resultados do IPC-Fipe (0,17% na terceira quadrissemana) e do IPCA-15 (0,21% em abril).



Ações de telecomunicações puxam queda do Ibovespa

O índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou negativo (-0,03%), com 21.316 pontos, depois de chegar a subir 1,8% durante o dia. O movimento de queda do Ibovespa foi liderado por ações do setor de telecomunicações. Das cinco maiores baixas do índice, quatro foram de empresas de telecom: Tele Centro Oeste PN (-6,4%), Telesp Celular Participações PN (-5,7%), Tele Celular Sul PN (-4,1%) e Embratel Participações ON (-2,7%).

Já AmBev PN esteve no topo da lista das maiores altas do Ibovespa, com um ganho de 5,97%. Isso porque a Merrill Lynch elevou a recomendação para as ações da empresa por causa das perspectivas da companhia e da recente recuperação de 1,7 ponto porcentual de seu market share no Brasil. Acesita PN, com alta de 4,98%, também se destacou na preferência dos investidores.




Dólar tem alta de 0,24% e risco país também sobe

A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,24%, a R$ 2,918, por conta de tensões no cenário externo, que predominaram durante todo o dia. Também o C-bond, principal título da dívida brasileira teve forte queda acompanhada pelo avanço do risco Brasil, que subiu 24 pontos, chegando aos 626.

Na Bolsa de Mercadorias & futuros, a proximidade do fim do mês levou investidores a iniciarem a rolagem de contratos futuros de dólar. Todos os vencimentos de dólar futuro negociados projetaram altas de preços. Os juros futuros reduziram mais um pouco os prêmios, especialmente nos contratos de curto prazo, diante da queda dos índices de inflação divulgados ontem. O mais importante foi o IPCA-15, que caiu de 0,40% em março para 0,21% em abril. As projeções mais otimistas eram de que a taxa viria no mesmo nível da verificada em março. Previam, na melhor da hipóteses, repetição do resultado anterior.

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