Mercado festeja superávit primário recorde

Nada como um dia após o outro para banalizar certos ''consensos'' fluidos do mercado. Ontem, o que influenciou o mercado foi o superávit primário recorde em março. O Ibovespa fechou em alta de 2,12% e o volume financeiro somou R$ 903 milhões. O País registrou superávit primário de R$ 10,282 bilhões no mês passado, muito acima das previsões dos analistas (de R$ 5 bilhões a R$ 7,5 bilhões). O bom desempenho das contas brasileiras foi emblemático porque justamente este seria o calcanhar-de-aquiles do País, segundo vários analistas e relatórios de instituições financeiras. Pode-se questionar a qualidade do resultado, por causa da excessiva e injusta carga tributária. Mas isso não esteve em pauta ontem.




Ações do setor siderúrgico recuperam parte das perdas

No Ibovespa, ações do setor siderúrgico encontraram espaço para recuperar parte das perdas de quinta-feira. Outro exagero foi reparado: a economia chinesa eventualmente crescerá menos este ano, por causa de uma possível alta de juros. Mas certamente vai crescer mais do que a média mundial. No ranking do índice teórico paulista, a maior alta foi de Usiminas PNA, com valorização de 7,61%. Outros destaques do setor foram Gerdau PN (5,12%), Siderúrgica Tubarão PN (2,68%) e Vale do Rio Doce PNA (2,20%). Petróleo Ipiranga PN, com avanço de 5,57%, continuou disputada por investidores - ontem o papel deu um salto de 12,13% -, apesar das negativas oficiais de que parte da petroquímica do grupo esteja à venda.


O superávit primário recorde de março dissipou o mal-estar provocado pelo relatório do JP Morgan na semana passada. O resultado superou todas as previsões e garantiu ao mercado fôlego para, no mínimo, realizar o lucro obtido com a alta acumulada pelas taxas futuras nos últimos dias. ''Se trata-se de uma reversão ou apenas uma realização, ainda não consigo afirmar. Mas, com certeza, o humor melhorou bastante'', afirma um operador.

Os juros futuros caíram. E caíram também nos contratos longos, o que não vinha acontecendo desde a semana passada. Segundo os analistas, parece que o mercado está se conscientizando de que uma pequena alta no juro norte-americano pode ser menos prejudicial ao País do que uma recessão mundial. Operadores observam também que a atitude firme do ministro Antônio Palocci em assegurar que não haverá alteração da meta de inflação de 2005 agrada.



Dólar comercial fecha semana em baixa

O dólar comercial operou em queda o dia todo e encerrou na cotação mínima, em baixa de 0,61%, a R$ 2,91. O fluxo comercial positivo e a injeção de ânimo provocada pelo superávit determinaram o recuo do ''pronto''. A recuperação à tarde dos títulos da dívida externa brasileira também influenciou positivamente. O giro financeiro à vista somou cerca de US$ 1,322 bilhões. No mês, a moeda americana acumula frente o real alta de 0,45% e, no ano, tem alta de 0,24%. Na próxima semana, o mercado deve continuar sensível às notícias e tende reagir à eventual decisão do governo de conceder um aumento do salário mínimo acima da inflação. (Agência Estado)

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