MERCADO FINANCEIRO
Dólar sobe 0,79% após menção americana à alta de juro
O discurso do presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), Alan Greenspan, no Senado, alimentou ontem apostas de uma alta do juro americano antes do previsto e provocou uma alta de 0,79% no dólar, que fechou a R$ 2,93, a maior cotação do mês. No ano, a moeda dos EUA acumula uma alta de 0,96%. Greenspan começou a falar, na comissão que trata do sistema bancário, na reta final dos negócios no mercado de câmbio, que só retorna ao trabalho na quinta-feira, após o feriado de Tiradentes. Ele mencionou o efeito da perspectiva de alta dos juros para o sistema bancário. Na sua avaliação, os bancos estão preparados para esse cenário. A cotação máxima do dia ficou em R$ 2,932, uma alta de 0,86%.
O volume reduzido de negócios também contribuiu para uma alta da moeda americana. Ao longo do dia, os bancos especularam sobre o teor do discurso de Greenspan, que hoje faz um novo pronunciamento, desta vez no Congresso. Alguns analistas temem que uma alta do juro americano provoque fuga de capital nos países emergentes, como o Brasil. Foi a taxa dos EUA em 1% ao ano, o menor nível em 46 anos, que contribuiu para euforia com os emergentes no ano passado.
Risco Brasil avança e país volta à 4 posição
Ontem, o risco brasil avançou quase 3%, somando 612 pontos, superando o da Nigéria e reassumindo o quarto lugar. É o maior patamar desde outubro passado. O risco mede a diferença dos juros pagos pelos títulos de um país em relação aos dos EUA. Quanto maior essa diferença, maior o risco e menor a cotação dos títulos. O indicador baliza os custos da tomada de empréstimos no exterior.
O rebaixamento de títulos brasileiros por bancos estrangeiros também pressionou o mercado nos últimos dias. Na quinta passada, o banco americano JP Morgan, que calcula o risco-país, piorou a avaliação sobre os papéis brasileiros. Na sexta, foi a vez do Citigroup, do Bank of America e da corretora Merrill Lynch, que recomendou reduzir exposição em ações do país. O alemão Dresdner também rebaixou o Brasil.
Bovespa cai mais de 2% com Greenspan e estatais
A Bovespa caiu mais de 2%, refletindo o tombo de Wall Street após o discurso do presidente do Federal Reserve. Indicações políticas nas estatais também derrubaram os papéis da Petrobras e Eletrobrás. Ontem, o principal índice da Bolsa paulista fechou em queda de 2,54%, aos 21.077 pontos. No ano, o Ibovespa acumula baixa de 5,2%, sendo 4,8% neste mês. O volume financeiro somou R$ 1,023 bilhão, abaixo da média do ano (R$ 1,2 bilhão). A Bolsa retoma os negócios amanhã. Das 54 ações que compõem o Ibovespa, só uma encerrou em alta. Foi o papel preferencial da Tele Celular Sul, que avançou 2%, para R$ 4,45 o lote de mil. No topo das baixas, ficou a ação ordinária da Eletrobrás, que despencou 8,6%, para R$ 34,01, prejudicada pela indicação política para o comando da estatal. Ontem, o presidente da companhia, Luiz Pinguelli Rosa, confirmou a saída do cargo para o PMDB indicar um substituto para o cargo. Já a ação preferencial da Petrobras desabou 3,21%, para R$ 81,20, liderando o giro de negócios (R$ 153,2 milhões ou 16,8% do total). Especulou-se sobre mudanças na diretoria da estatal também para liberar cargos para o PMDB. (Agência Folha)





