MERCADO FINANCEIRO
Mercado torce por agenda positiva em abril
Wall Street recuperou-se parcialmente ontem à tarde, permitindo à Bovespa fechar em alta de 0,45%, com volume financeiro de R$ 1,345 bilhão. Em março, o índice teórico paulista acumulou ganho de 1,78%, de bom tamanho para um mês deprimido pela crise política e pelos ataques terroristas em Madri.
Um assunto de muito interesse para os investidores foi adiado, talvez para hoje. Trata-se do julgamento, pelo STF, da ação direta de inconstitucionalidade contra a elevação da alíquota da Cofins, de 2% para 3% sobre o faturamento, de 1998. Se ganhar, o governo leva para os cofres algo estimado em R$ 15 bilhões, daí a expectativa.
A divulgação de nova fita sobre o caso Waldomiro Diniz, desta vez envolvendo um subprocurador da República, foi considerada uma vitória do governo pelos operadores. Contudo, conforme um analista, o presidente Lula e o PT não viraram o jogo de vez. Mas, sem dúvida, o fato tirou parte da munição da oposição.
Curva de juros precifica corte de 0,35 na Selic
O mercado de juros encerrou o mês embalado na aposta de que a Selic cai pelo menos 0,25 ponto porcentual. A curva de juros já precifica um corte de 0,35 ponto, o que significa que o mercado caminha para uma aposta de 0,5 ponto. O principal argumento para esse movimento é a constatação de que a pressão por reajustes de preços no atacado não está chegando ao varejo.
A ata da reunião de fevereiro disse que o Copom não cortou o juro justamente porque temia o repasse do IPA para o IPC. Em março, no entanto, o comitê reduziu o juro observando que a alta da inflação se deve, em grande parte, a choques de ofertas que não são controlados pela política monetária. E admitiu que o repasse para os preços ao consumidor não estava acontecendo como se temia. Ontem, o resultado do IGP-M confirmou que a pressão do IPA industrial está sendo arrefecida sem que tenha havido contaminação do IPC.
Fita não traz impacto direto sobre cotações
Depois de subir 0,21% no período da manhã, para R$ 2,915 na máxima do dia, o dólar encerrou o pregão em baixa de 0,41%, cotado a R$ 2,897. Desde o dia 16 passado que a moeda norte-americana não fechava com a cotação abaixo de R$ 2,90. No mês de março, o dólar acumulou baixa de 0,31%.
A grande novidade política de ontem foi a fita mostrando o encontro entre um subprocurador da República e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A fita não trouxe impacto direto sobre as cotações do câmbio porque, segundo operadores, a leitura do mercado sobre o assunto já era de que esse caso estava perdendo força a cada dia.





