Rumores de captação soberana animam mercado





O dólar encerrou os negócios na mínima do dia ontem. Fechou em baixa de 1,05%, cotado a R$ 2,909. Rumores de que o governo poderá fazer uma nova captação soberana no mês de abril ajudaram a derrubar os preços.

Mas o mercado de câmbio também foi influenciado por outras boas notícias, como captações privadas no exterior, nova projeção do ministro Mantega para o superávit comercial deste ano, declarações do ministro Palocci no Senado e também especulações de que o IGP-M de março, divulgado no fim da tarde, ficaria no piso das expectativas.

De acordo com operadores, os vencimentos externos do setor público em abril, estimados em US$ 5,582 bilhões, justificariam uma nova emissão soberana da República do Brasil no próximo mês. Como o governo já ''adiantou'' US$ 3 bilhões desse total em emissões no ano passado, restariam ainda cerca de US$ 2,5 bilhões.





Possibilidade de emissão soberana fazem Ibovespa subir



Rumores sobre a nova emissão soberana e sobre o IGP-M fizeram o Ibovespa subir mais forte, mas não engordaram muito o volume financeiro do pregão. Os rumores vieram a calhar para os gestores de fundos passivos, que não querem passar vexame frente a seus cotistas no ranking das aplicações de março.

Os boatos sobre a captação fazem sentido. Somente em abril, nos cálculos do mercado, vencem US$ 4,289 bilhões em amortizações da dívida externa e US$ 1,292 bilhão em juros, o que perfaz US$ 5,582 bilhões.



Aumenta perspectiva de recursos externos



Os boatos a respeito do IGP-M falharam e o resultado veio bem mais salgado, bem acima da taxa de fevereiro, de 0,69%. Desta vez, a maior alta dentro do IGP-M foi do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que passou de 0,48% em fevereiro para 1,59%. O Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou uma taxa de 1,33% (ante 0,73% no mês passado).

A alta do IGP-M foi uma má notícia em um dia marcado por rumores positivos (entre eles, o de que o indicador viria abaixo do previsto). Mas, nem por isso, deve desencadear uma piora de humor. Isso porque a ata do Copom deixou claro que determinados movimentos são classificados como ''choques de oferta''.

O mercado deve continuar influenciado por uma nova onda de boas notícias que parece estar chegando. Entre elas, a perspectiva de ingresso de recursos externos, que derrubou a cotação do dólar ontem. Nesse ambiente de otimismo, os juros também encerraram o dia em queda e, no pregão eletrônico, não exibiram reação negativa ao resultado do IGP-M. (Agência Estado)

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