Juro mantém queda e sinaliza corte da Selic em abril




As taxas de juro encerraram o dia em queda, indicando que o mercado caminhou ontem para consolidar sua aposta em continuidade de corte da Selic na próxima reunião do Copom. Sem nenhuma novidade relevante no front político e com os números de inflação prometendo alívio, o mercado considera possível uma nova redução do juro entre 0,25 ponto e 0,5 ponto porcentual. E a curva de juros, aos poucos, se ajusta a essa idéia.

Ontem foi divulgada mais uma pesquisa sobre aprovação do governo, desta vez realizada pelo Sensus a pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Na pesquisa de ontem, a aprovação pessoal de Lula saiu de 69,9% em dezembro para 59,6%, uma queda de 10,3 pontos, um pouco mais intensa do que a registrada pela pesquisa da CNI, divulgada na sexta-feira, que registrou uma queda nesse item de 69% para 60%.

Esses dados não preocuparam o mercado, assim como os divulgados na sexta-feira. Essa piora na avaliação do governo é considerada natural. A pesquisa CNT traz uma observação, no entanto, de que os problemas econômicos pesaram mais para os pesquisados do que o caso Waldomiro. Ou seja, a população está cobrando o cumprimento das promessas de crescimento.




Dólar encerra com ligeira alta



Apesar do bom giro financeiro, o mercado de câmbio apresentou pouca volatilidade. O dólar encerrou os negócios com ligeira alta de 0,03%, cotado a R$ 2,94. Oscilou entre a máxima de R$ 2,941 (+0,07%) e a mínima de R$ 2,933 (-0,20%). O volume financeiro total somou US$ 1,5 bilhão, igualando-se ao giro de sexta-feira passada.

O mercado até teria motivos para provocar alta volatilidade ao dólar. Um deles é o vencimento do câmbio futuro/abril na quinta-feira. Outro é o vencimento de títulos cambiais, na mesma quinta-feira, em um montante de US$ 2,2 bilhões que não serão rolados pelo Banco Central.




Ibovespa fecha em queda



Os estrangeiros se retraíram e os brasileiros não viram motivos suficientes para manter compras. Por isso, o Ibovespa fechou em queda de 0,05%, com giro financeiro sofrível de R$ 821 milhões. Isso ocorreu a despeito do excelente desempenho de Wall Street, onde o Dow Jones subiu 1,14% e a Nasdaq avançou 1,66%.

A pesquisa CNT/Sensus não incomodou os investidores, por ter sido amplamente antecipada pela da CNI/Ibope e, antes mesmo, por colunas de analistas políticos. Mas houve uma leitura positiva: a desaprovação do governo ocorre muito mais por causa da frustração com o desempenho da economia do que pelos imbróglios políticos criados a partir do caso Waldomiro Diniz.

mockup